sábado, 17 de julho de 2010

A desinformação institucional na UnB

O principal veículo de comunicação institucional da Universidade de Brasília é o Portal da UnB, responsabilidade da Secretaria de Comunicação (Secom) da universidade. É função do portal informar a comunidade acadêmica e a sociedade no geral acerca das coisas que acontecem dentro da instituição. Portanto, o mínimo que se pode esperar é que as notícias pertinentes à UnB – reuniões, eventos, programas e notícias de um modo geral – sejam divulgadas através do portal.

O que vemos, entretanto, não é isso. O trabalho feito pela Secom se constitui, em boa parte, mais um mecanismo fajuto de propaganda do que um veículo de comunicação. A maior parte das notícias são menos matérias jornalísticas e mais peças de marketing da gestão do atual Reitor. Uma série de assuntos é tratada de maneira leviana pela equipe “jornalística” do portal – como foi o caso, por exemplo, dos protestos anti-homofobia, quando se exaltou a iniciativa como necessária e esqueceu-se de mencionar que murais, paredes e vidraças da universidade foram pichados.

Um dos casos mais graves foi a falta de divulgação da palestra do Prof. Dr. Rolf Martin Zinkernagel, agraciado com o Nobel de Medicina em 1996 por seu trabalho sobre o sistema imunológico. A visita – que, por si só, deveria merecer grande atenção do público no geral, já que são raras as oportunidades de se travar conhecimento com um pesquisador desse calibre – só foi divulgada às vésperas da palestra. Acreditamos que, se não fossem os protestos constantes do Prof. Marcelo Hermes-Lima (blogueiro do Ciência Brasil e professor do Instituto de Biologia da UnB), esse fato sequer seria divulgado pela Secom no Portal da UnB.

Outro caso que mostra bem essa política institucional de desinformação foi a visita do Prof. Dr. Omar Aktouf, da HEC-Montréal, à UnB. O Dr. Aktouf é, atualmente, um dos maiores nomes relacionados a mercado financeiro no mundo acadêmico. Sabem quantas linhas a Secom dedicou a divulgar a palestra? NENHUMA! Caso tenham dúvida, é só ir ao Portal da UnB, clicar na aba Notícias e digitar “Omar Aktouf” na área de pesquisa. O portal não irá encontrar nenhuma notícia relacionada a essa visita ilustre.

Esses casos suscitam algumas dúvidas. A que (ou a quem) serve o Portal da UnB? Qual deve ser o verdadeiro propósito da Secom? O que vemos é a subutilização do Portal da UnB, que vem sido reduzido a um mero instrumento de propaganda oficial da Reitoria, e nada mais. Isso só serve para atrapalhar a integração da universidade, que se encontra num nível de fragmentação alarmante em seus pontos críticos.

E, analisando esse quadro, é impossível não pensar em uma famosa máxima militar romana: dividir para conquistar.

Próximo post: A aula como instrumento de doutrinação ideológica.

3 comentários:

  1. sem contar q eles escrevem bem pouco... as vezes dias se passam e nada de atualização. A impressão que temos é que o conteúdo jornalístico veiculado no portal UnB é meramente preenchedor de espaços. Sugiro esse site http://www.lipsum.com/ para eles. Ele gera textos em latim na quantidade de caracteres que você pedir. É usado por designers para preencher os espaços de textos na elaboração de um layout.

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  2. Caros

    Realmente tenho de concordar com as colocações aqui realizadas. Uma sugestão para diminuir esta tendência da SECOM seria permitir que os leitores fizessem comentários.

    Parabéns pelo post

    Saudações

    LeoRAX

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  3. Maurício, a frequência de textos também é péssima - bem como a qualidade. Sua colocação foi certeira. Agradecemos sua participação!

    Prof. Leonardo, cremos que comentários não são permitidos justamente por se temer a opinião dos leitores do portal. É evidente que a quantidade de críticas ao pseudo-jornalismo da Secom seria enorme. Agradecemos o prestígio!

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