sábado, 26 de junho de 2010

Por que incomodamos tanto?

Essa pergunta não é retórica. Ela é realmente uma pergunta. Por que incomodamos tanto? O que há de tão ofensivo e intolerável em nossas opiniões, em nosso olhar particular sobre a situação indubitavelmente caótica em que estamos na Universidade de Brasília?

Somos alunos bastante preocupados com a universidade que temos hoje. Temos observado situações degradantes que têm atrapalhado o cotidiano acadêmico e que têm recebido muito maior importância do que questões mais urgentes dentro de nossa universidade - como a falta de integração entre os campi, a infraestrutura sucateada, a defasagem dos currículos dos cursos, dentre outros problemas. Falamos aqui contra "protestos" cujo único objetivo é chamar atenção desnecessária de uma maneira que beira o ridículo, contra a profunda e perniciosa influência de partidos políticos dentro do movimento estudantil, contra o comportamento reacionário de alguns grupos que evocam para si a imagem de defensores da igualdade. Nossos textos demonstram a preocupação que nós temos com os rumos da nossa universidade, com a qualidade do ensino e com a civilidade no cotidiano da comunidade acadêmica.

Muita gente não gostou. Os comentários que aí estão disponíveis para quem quiser conferir atestam isso com facilidade. Pouco se vê de argumentos sérios nas mensagens de nossos detratores - achamos que talvez seja porque as pessoas, normalmente, têm preguiça de ler um texto até o fim e de analisar de modo sensato seu conteúdo. A quase totalidade dos que nos criticam partem para o ataque pessoal, ofendendo, acusando, todos muito ansiosos por conferir rótulos ultrapassados. Já nos chamaram de extremo-burgueses. Já insinuaram que admiramos o período da Ditadura Militar.

No começo, achamos que muitas pessoas fossem se opôr àquilo que pensamos. Tínhamos em mente que a divulgação de nossas ideias sobre o que tem acontecido na UnB iria acabar atraindo pessoas que pensam de maneira divergente e que iriam usar esse espaço para expor essa divergência. Entretanto, esperávamos que essa exposição fosse bem composta de argumentos bem concateados, onde o desejo de discutir de ideias seria sobrepujado pelo mero afã de agredir o outro - afinal, respeito é algo que se deve ter com todos. Para nossa surpresa - e, em parte, decepção -, isso não aconteceu.

Então, fica lançada a pergunta, e sinta-se à vontade para respondê-la quem se achar apto: por que incomodamos tanto?

Próximo post: polícia no campus - por que não?

7 comentários:

  1. Acho que quando uma idéia é fraca nas bases, é preciso empurrar aquilo goela abaixo dos outros, pra evitar que alguém pense sobre com calma e sensatamente, livre de dogmatismos. Por isso incomodamos, propomos que se use a cabeça. =]

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  2. Bom
    gostei bastante da provocação de voces sobre um nivel mais alto da discussao e que ela seja focada nas ideias de maneira sensata.
    Porém antes é preciso levantar um primeiro ponto que gostaria que fosse levado em consideração.
    Os grupos que estão militando na unb são compostos por pessoas que cotidianamente sofrem inumeras violências, tais como racismo, sexismo, homofobia, estupros, e lutam para que a unb enquanto instituição, que a comunidade acadêmica e a sociedade em geral passe a levar a serio o combate a esses tipos de violência. É muito difícil enfrentar a resistência de todxs na aceitação da existência dessas violências e quando surgem grupos como este que, além de resistir aos argumentos levantados, ainda passam a defender a situação como ela esta posta, com discursos tais como o de que os problemas que vivemos atualmente na unb são causados justamente por aqueles que estão denunciando as violências sofridas é muito difícil manter a calma e discutir ponto a ponto cada argumento levantado.
    Mas como disse vou tentar realizar este diálogo nesse espaço e vamos ver até onde essa conversa vai nos levar.

    Abayomi Mandela

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  3. Abayomi,

    Acho que, como a maioria das pessoas que comentou aqui, você não leu nenhum de nossos textos. Em momento algum negamos a existência de sexismo, machismo, racismo, homofobia e outros preconceitos dentro - e fora - do ambiente acadêmico. Toda forma de preconceito deve ser duramente combatida para se construir uma sociedade verdadeiramente igualitária. O que atacamos aqui não são os argumentos, mas os métodos de defesa desses argumentos por parte dos grupos de afirmação atuantes na UnB.

    Num Estado Democrático de Direito, a defesa de posicionamentos de qualquer sorte deve ter como limite o direito do outro, e é isso o que não está sendo respeitado.

    De qualquer maneira, agradecemos sua participação aqui no blog.

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  4. Novamente você não se cansa de estar errado.
    Muito ao contrário do que você pensa, meu caro, antes de postar meu primeiro comentário, li todas as postagens anteriores.

    Primeira bola fora na tentativa de construção de um possível diálogo. E esse fora deveu-se a uma atitude preconceituosa de sua parte, amigão.

    Segundo: Não afirmei em meu comentário anterior que seus textos negassem a existência de opressões. Somente pedi para que levasse em consideração o fato de que são pessoas sofrendo opressões e que é difícil para elas lutarem para que suas pautas sejam levadas em consideração e ainda verem grupos como o seu se organizando para travar algum tipo de combate, mesmo que no campo das ideias e dos posicionamentos.

    Não é possível simplesmente desqualificar essas pessoas simplesmente por não se concordar com suas posições e com a forma de luta escolhida. É preciso um esforço para se tentar entender o ponto de vista do outro e não simplesmente rotulá-los de qualquer termo pejorativo.

    Vamos continuando a conversa.


    Abayomi Mandela

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  5. Vamos lá:

    1) Poderia explicar onde há preconceito em achar que você não leu nenhum dos comentários?

    2) Nosso objetivo não é travar combate algum. Nosso obejtivo é simplesmente apontar aquilo que, em nossa opinião, está errado.

    3) O exercício da alteridade é algo recíproco. Não rotulamos pejorativamente nenhum dos grupos dos quais falamos, nem desqualificamos ninguém. Levantamos dúvidas com relação aos métodos utilizados e suas consequências, e não com relação à índole ou à integridade de tais grupos. Não julgamos (nem pretendemos fazê-lo) as lutas de ninguém em sua essência.

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  6. Em seu comentário anterior você não escreveu que eu não havia lido nenhum dos comentários, você colocou que eu não havia lido nenhum texto. A ideia dessa observação é que eu estaria fazendo um comentário sem conhecimento de causa. Além de que no texto você escreveu:
    “Pouco se vê de argumentos sérios nas mensagens de nossos detratores - achamos que talvez seja porque as pessoas, normalmente, têm preguiça de ler um texto até o fim e de analisar de modo sensato seu conteúdo.”
    Sem me conhecer, você simplesmente começou seu comentário posicionando-me em um grupo de pessoas que você classificou como preguiçosas e que não analisam de modo sensato argumentos. Isso configura uma atitude preconceituosa. Você não perguntou se eu havia lido os textos. Você começou o comentário dizendo que achava que eu não havia lido os textos. Entendeu onde há preconceito?

    Sobre exercícios de alteridade um ponto importante é o lugar de fala. Somente quem sofre opressão pode dizer o que é e o que não é opressão. Pessoas que não são homossexuais não tem legitimidade para dizer o que é e o que não é ofensivo para o grupo que se sente atacado. E em seu texto sobre homofobia você usou a fala de um aluno da unb que diz que chamar de viado não é homofóbico e chamar de homossexual seria homofóbico. É até engraçado essa linha argumentativa. Até onde sei o termo homossexual foi cunhado justamente para se evitar outros termos pejorativos como viado ou bicha (poderia entrar no quão inócuo é a utilização desses termos politicamente corretos, mas prefiro nem entrar nesse ponto). Você utilizou como argumento uma fala que inverte totalmente a lógica dos termos ofensivos além de se achar no direito de dizer para aqueles(as) que sofrem a opressão o que elas devem considerar como sendo opressão e o que não seria opressão. Esse direito você não tem. Quem se sente ofendido(a) deve dizer o que o(a) ofende.

    Como último ponto. Chamar as pessoas que tentam analisar as relações da sociedade de forma crítica com o objetivo de identificar ações cotidianas baseadas em ideias preconceituosas e opressivas de 'esquizofrênicas' é uma forma de levantar 'dúvidas em relação à índole ou à integridade de tais grupos'. O mesmo posso dizer quando você diz que os protestos realizados pelos grupos políticos existentes na Unb tem como único objetivo 'chamar atenção desnecessária de uma maneira que beira o ridículo'. Ao desqualificar as formas de luta escolhidas você praticamente está chamando estes grupos para o combate, repito, mesmo que esta disputa trave-se no campo das ideias e dos posicionamentos.

    Abayomi Mandela

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  7. Ou a maneira como os texto têm sido feitos precisa de uma séria revisão, ou há, em nossa opinião, uma boa dose de exagero aqui. Talvez seja o momento de esclarecermos alguns pontos:

    1) Dizer que você foi colocado no mesmo grupo das pessoas que chamamos de preguiçosas porque houve dúvidas se você leu o texto ou não é forçar a barra.

    2) A observação que reproduzimos aqui sobre a palavra viado não querer dizer homossexual não visava mostrar que chamar alguém de homossexual é ofensivo. Talvez isso não tenha ficado claro. Membros do nosso grupo têm amigos - grandes amigos, no meu caso particular - que são homossexuais. Muitos deles chamam a si mesmos ou outras pessoas, independente de sua orientação sexual, de viados, e o fazem em momentos de descontração. Nós dissemos que, nesse contexto, chamar essa atitude de homofóbica era, sim, esquizofrenia. E é.

    3) Seguindo a lógica que você usou - "Somente quem sofre opressão pode dizer o que é e o que não é opressão." -, então o fato de a ONU condenar os lançamentos de mísseis pelo Hamas contra o território israelense é igualmente ilegítima. A ONU não condena a causa palestina, mas condena alguns métodos de confrontamento usados por organizações palestinas - como o Hamas. Salvas as devidas proporções (afinal, trata-se de uma extrapolação para fins didáticos), enxergamos a necessidade da luta contra a homofobia e a apoiamos, mas atacamos os métodos utilizados. Nesse caso específico, destruir cartazes pelos quais não se pagou, além depredar os murais e as paredes do ICC com pichações, é imoral e criminoso. Não se é possível, num Estado Democrático de Direito, defender seu próprio direito atacando o direito do outro de maneira tão acintosa.

    Um ponto a adicionar, se permite, é bastante interessante em seus comentários: a opinião ferrenha de que somos preconceituosos e opressivos. São poucos os que sabem defender ideias com argumentos, e isso é algo que você sabe fazer. Agradecemos por isso. Só é possível se construir uma sociedade democrática quando isso acontece de maneira sadia. Entretanto, não há sinal de opressão por aqui. E, certamente, não há sinal de preconceito. Se assim fosse, este pequeno debate sequer estaria acontecendo - a ferramenta de moderação de comentários serviria muito bem para esse fim. Queremos justamente promover o debate saudável de ideias. Não esperamos nem queremos ser laureados de qualquer maneira por isso - aliás, seria ridículo esperar por reconhecimento dessa forma.Temos defendido nossos argumentos, até agora, de maneira clara e pormenorizada. E essa certeza nos dá grande segurança em nossos posicionamentos.

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