segunda-feira, 28 de junho de 2010

Polícia nos campi: por que não?

No dia 15 de março, uma estudante da UnB foi estuprada nos arredores do campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. O caso, de gravidade revoltante, teve grande repercussão, o crime foi amplamente noticiado e trouxe à tona uma importante questão de segurança: a polícia deve ou não atuar dentro dos campi?

Muitos são os argumentos que nutrem a resistência à presença de policiamento ostensivo dentro da Universidade de Brasília. Fala-se sobre a truculência policial, alega-se uma possível ameaça à autonomia universitária, e há ainda aqueles que justificam sua resistência relembrando a invasão à UnB em 1968 (retratada no documentário Barra 68, de Vladimir Carvalho). Já houve até uma grande confusão por conta da atuação da polícia no campus Darcy Ribeiro.

Há quase 8 anos, na primeira quinzena de julho de 2002, cinco estudantes da UnB foram presos pelo Batalhão de Operações Especiais (BOPE) dentro do campus Darcy Ribeiro por porte de drogas. Na época, o caso gerou uma confusão dos diabos: o DCE convocou os estudantes para protestar no prédio da Reitoria contra a ação da polícia e preparar uma carta repudiando veementemente a atuação policial dentro do campus. Instaram o então vice-reitor, Timothy Mulholland, a assinar o documento, que seria encaminhado para a Secretaria de Segurança do Distrito Federal. "Se ele não assinar, vamos começar uma greve de fome", ameaçou, à época, um dos membros do DCE, Rodrigo Grassia. O Prof. Dr. Antônio Sebben, então presidente da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), declarou: "A polícia tem de desenvolver um trabalho ativo, mas sem armas, dentro da universidade, já que a UnB tem um histórico de invasão e morte por causa da polícia."

Não vivemos em um período de exceção. A Ditadura Militar caiu há um quarto de século. A invasão à UnB promovida em 1968 ocorreu quarenta e dois anos atrás. Esses fantasmas do passado não podem mais continuar rondando a universidade, tolhendo a capacidade de raciocínio dos membros da comunidade acadêmica e levando ao ataque de medidas necessárias para a segurança de toda a Universidade de Brasília.

É inegável que alguns policiais frequentemente recorrem a excessos - que, às vezes, tornam-se crimes injustificáveis. Entretanto, a polícia serve para para proteger o cidadão, para agir em nome da segurança coletiva. Logicamente, a presença da polícia não é a única solução para a questão da segurança dentro da UnB: boa iluminação dos campi, além de capacitação e ferramental para os seguranças da universidade, são medidas igualmente essenciais. Entretanto, acreditamos ser inconteste o fato de que a presença de policiamento ostensivo em todos os campi da UnB - Darcy Ribeiro, Planaltina, Gama e Ceilândia - vai contribuir muito para a segurança de professores, funcionários e estudantes.

Próximo post: guerrilha, ditadura e idolatria na UnB.

2 comentários:

  1. O movimento tem algum caráter institucional, é um grupo formado que planeja ações e se reúne para discussões?
    Se sim, como posso passar a integrá-lo?

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  2. Ricardo,

    Nossas reuniões ainda são bastante fortuitas - os membros do grupo pertencem a cursos diferentes e, normalmente, os horários livres não são muito compatíveis.

    Faremos uma reunião na próxima semana. Para maiores detalhes, mande um e-mail para nós: unbconservadora@gmail.com

    Bom fim de semana!

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