quarta-feira, 30 de junho de 2010

Guerrilha, ditadura e idolatria na UnB

As universidades sempre foram incubadoras de movimentos esquerdistas de caráter extremista que se autointitulam populares, classistas e revolucionários. A lógica de suas ações deriva do ideário bolchevique tal qual era em 1917. Para esses movimentos, a sociedade é movida unicamente pela luta de classes, em que os burgueses - malvados, cruéis, perversos, sanguinolentos, opressores e exploradores - devem ser combatidos pelo proletariado - explorados, oprimidos, vítimas do sistema. A Universidade de Brasília, evidentemente, não está imune a esse tipo de movimento.

Em alguns lugares do ICC, é possível encontrar cartazes de um grupo chamado Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR. Em seu site, o MEPR informa:

O MEPR se guia por dois princípios, "servir o povo de todo coração" e "ser tropa de choque da revolução", como definiram dois grandes revolucionários o papel da juventude:
"Qual é o critério que permite determinar se um jovem é ou não revolucionário? Como fazer tal distinção? Apenas existe um critério: verificar se este jovem quer ou não ligar-se às grandes massas operárias e camponesas e se, efetivamente se liga a elas.Se ele ligar-se aos operários e camponeses e se o faz efetivamente, então ele é um revolucionário; no caso contrário, é um não revolucionário ou um contra-revolucionário. Se hoje ele se liga às massas de operários e camponeses, hoje ele é um revolucionário. Mas se amanhã ele deixa de ligar-se a elas ou passar a oprimir as pessoas simples do povo, então ele será um não revolucionário ou um contra-revolucionário." (Mao Tsetung em "A orientação do movimento da juventude" - 4 de maio de 1939)
"A juventude revolucionária é reserva e vanguarda de choque da revolução proletária" (Josef Stálin)

Diante da sede do Centro Acadêmico de Serviço Social (CASESO), é possível ver um grande mural improvisado no qual são apresentadas as fotos de alguns guerrilheiros que participaram da chamada Guerrilha do Araguaia durante a Ditadura Militar. O mural os identifica como mártires do povo.

Primeiro, comecemos uma pequena exposição sobre os "grandes revolucionários" citados no trecho retirado do site do MEPR.
- Mao Tse-tung tomou o poder na China em 1949. Em 1958, o governo comunista lançou o programa econômico Grande Salto Adiante, que proibia o cultivo de terras privadas e realocou milhões de camponeses na produção industrial de ferro e aço. A consequência direta desse plano foi a morte de aproximadamente 35 milhões de chineses entre 1958 e 1961. A causa da morte? Fome. O Grande Salto serviu de inspiração para a Revolução Cultural Chinesa (1966 - 1976), no qual as universidade chinesas foram paralisadas, intelectuais considerados "reacionários" e "imperialistas" foram duramente perseguidos, o Livro Vermelho ditava todos os aspectos da vida do povo, e Mao foi praticamente elevado ao status de divindade terrena na China.

- Josef Stálin governou a União Soviética entre 1924 e 1953. Em 23 de agosto de 1939, os governos de Stálin e Hitler assinaram o Pacto Molotov-Ribbentrop. O pacto assegurava: a não-agressão entre Alemanha e União Soviética; o apoio nazista à invasão soviética da Finlândia; o apoio soviético à invasão alemã da Polônia; a partilha da Europa Oriental entre Alemanha (Lituânia e metade da Polônia) e URSS (Estônia, Letônia e zonas da Finlândia, Romênia e Bulgária); troca de petróleo caucasiano e trigo ucraniano, da URSS, por material bélico e ouro alemães. Estima-se entre 20 e 35 milhões o número de soviéticos mortos de fome durante o governo de Stálin - isso sem contar as baixas da Segunda Guerra ou os expurgos promovidos a partir de 1936.

Um movimento que defende ideias pregadas por esses "grandes revolucionários" não pode ser levado a sério. A defesa de teses ultrapassadas, frequentemente associadas a nomes de ditadores e genocidas, é um anacronismo pernicioso sustentado por mentes engessadas ditadas pelo velho maniqueísmo dualista tão alardeado nos idos de 1917. O que não falta nas universidades brasileiras, especialmente na UnB, são indivíduos que defendem esses ideais.

Tratemos, agora, dos "mártires" do povo que o MEPR tanto idolatra. Ao contrário do que se sustenta, aqueles que pegaram em armas para lutar contra a Ditadura Militar não foram defensores da democracia. Nenhum dos grupos guerrilheiros que lutaram contra o Governo Militar - Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), Comando de Libertação Nacional (COLINA), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) - defendeu a substituição do regime de então por um governo democrático, mas a instauração de uma ditadura socialista. A maioria desses grupos angariava seus recursos em assaltos a bancos e promoviam, dentre outras coisas, sequestros, atentados à bomba e assassinatos.

Em pleno século XXI, não é concebível que estudantes universitários, que possuem um nível de acesso à informação e ao conhecimento que a esmagadora maioria da população não possui, defendam indivíduos que roubaram, sequestraram e assassinaram não em nome da democracia, mas em nome de modelos de governo ditatoriais que foram responsáveis pela morte de dezenas de milhões de pessoas. Nem mesmo a luta contra um regime opressor e agressivo fornece uma justificativa plausível para isso.
Grupos como o MEPR não representam os estudantes ou o "proletariado", mas apenas os ideais retrógrados e ditatoriais de grupos que pararam no tempo e não conseguem se adequar à realidade brasileira.

Próximo post: A Oposição CCI - Caudilhista, Caduca e Irresponsável

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