segunda-feira, 21 de junho de 2010

Desrespeito, esquizofrenia e a luta contra a homofobia na UnB

Como relatado no post anterior, ocorreu no início da segunda quinzena de maio, uma semana após a volta às aulas, o seminário UnB Fora do Armário!. O objetivo do seminário foi discutir "a urgência e importância de trazer para dentro da Universidade a pauta LGBT em defesa da diversidade sexual, colocando o ensino superior como um local estratégico para a operarmos transformações reais que queremos ter na sociedade." (trecho extraído daqui.) O seminário ocorreu nos dias 17 e 18 de maio. No dia 19 de maio, ocorreu a I Marcha Nacional contra a Homofobia.
Na mesma semana (salvo engano), uma pequena marcha contra a homofobia na Universidade de Brasília tomou os corredores do prédio do ICC. Nesse protesto, murais e vidraças foram pintados com frases de efeito, paredes foram pichadas (uma delas, próxima ao DCE, ostenta agora a pichação "UnB é LGBTTT"), e cartazes de festas promovidas por CAs (Eletroxurras, da Engenharia Elétrica, e ChuRedes, da Engenharia de Redes) foram depredados - tinta preta foi usada para pintar os cartazes e adesivos com as frases de efeito ("Não financie a homofobia!" e "Não financie o machismo!") foram colados sobre os cartazes.

Qualquer tipo de preconceito é pernicioso, e lutar contra toda forma de preconceito é primordial para a construção de uma sociedade mais justa e digna. Entretanto, a luta contra o preconceito não se pode dar, em hipótese alguma, à base do desrespeito ao direito alheio. Qualquer movimento que opta por essa estratégia perde sua credibilidade não somente frente à sociedade no geral, mas também junto àqueles cujos interesses defende. A depredação de patrimônio público é, além de imoral, criminosa. Igualmente grave é a depredação de patrimônio particular, como foi o caso dos cartazes dos eventos.

Os CAs da Engenharia Eletrônica e da Engenahria de Redes desenbolsaram recursos financeiros para a confecção de seu material de divulgação, e, pela qualidade dos cartazes, seu valor não deve ter sido barato. Com que direito um grupo dito libertário cerceia o direito de divulgação de evento dos CAs - especialmente quando não havia absolutamente nenhum indício de sexismo ou homofobia nos cartazes em questão?

Vivemos atualmente na UnB uma espécie de surto esquizofrênico anti-homofóbico. Vê-se homofobia em toda e qualquer manifestação pública ou particular - como foi o caso do café dos calouros promovido pelo CACOM (Centro Acadêmico de Comunicação) no dia 11 de junho. Como muito bem colocado por um aluno veterano do curso de Comunicação, "viado é diferente de homossexual" e "palavras repetidas exaustivamente para diversos fins se desvituam e ficam sem significado."

Se uma pessoa, em momento de descontração com seus amigos, chamar algum deles de viado, é manifestação de homofobia? Não. Há um contexto bastante particular nesse caso. Entretanto, se alguém for agredido física ou verbalmente em virtude de sua opção sexual, isso sim caracteriza homofobia. Colocar as duas coisas sob a mesma pecha de homofobia é não só uma simplificação ridícula, mas também denota uma mesquinha atitude generalizante.

Próximo post: movimento estudantil e partidarismo de esquerda.

17 comentários:

  1. Como esquizofrênico?

    Ações de violência contra homossexuais são tristemente comuns na nossa sociedade, inclusive dentro da UnB.

    Só pra citar dois: no dia da manifestação anti homofobia na unb um casal de lésbicas estava se beijando na frente do CAAGRO quando uma outra menina chegou dando um tapa na cara das duas, sob o pretexto de que "isso não se faz". No mesmo dia, ligaram 53 vezes (de 53 números diferentes) para uma garota, também homossexual, que estava na passeata e, além de agressões verbais, ameaçaram-na prometendo espancamento e estupro.

    Estes são só alguns exemplos. A população LGBTT na UnB sofre atentados contra sua integridade física e moral constantemente, e estão reagindo a isto.

    Francamente, acho que vocês escrevem sem o mínimo conhecimento de causa.

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  2. Iara,

    Não se reage contra agressões com outras agressões. Um erro não justifica o outro.

    Malcolm X e Martin Luther King lutaram pelos negros dos EUA de maneiras bastante distintas. Qual deles foi bem sucedido: o que pregava a reação violenta ou o que defendia a desobediência civil?

    Recomendo que leia melhor o texto da próxima vez.

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  3. Os dois foram assassinados. Ambos foram bem sucedidos até certo ponto. Não diga bobeiras.
    Concordo que vandalizar a propriedade pública talvez não seja uma medida interessante, podiam ter ficado só nos cartazes. Agora eu não consigo ver aonde combateram violência com violência. Ou você considera que "violentaram" os cartazes? Isso nem se compara a qualquer ato de homofobia. Todo cidadão brasileiro tem o dever constitucional de respeitar a diversidade social. Os indícios de sexismo nos cartazes estavam circulados, se vocês não viram foi porque não quiseram ver. Esquizofrênico é gente que fala que homofobia é errado, se diz cidadão, e não faz nada para combatê-la.

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  4. Vandalismo = agressão. Qualquer interpretação fora desse parâmetro é, no mínimo, míope. Nada justifica a depredação do patrimônio publico ou privado. Isso não é ativismo: é selvageria.

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  5. antes uma interpretação míope do que uma completamente tapada. afinal, não perceber festas machistas, cartazes de igual conteúdo e ainda ter coragem de dizer que "apelidos" de cunho homofóbico são simples "bricnadeiras", como se não pautadas em valoers morais específicos discriminatórios, é, no mínimo, expressão de uma universidade conservadora e com viseiras estreitas que impedem de ampliar a perspectiva sobre a complexa realidade social.


    Izis.

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  6. Izis,

    Acho que você, como a Iara, também não leu o texto. Mais sorte (e atenção) da próxima vez.

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  7. Se nada justifica a depredação do patrimônio, nada justifica a complacência de alguns estudantes com o sexismos e a homofobia.
    Você pode ter essa versão direitista e extremo-burguesa se quiser sobre violência e propriedade, mas nenhum cartaz ficou sofrendo com o medo de ser violentado por homofóbicos. O respeito ao ser humano vem muito antes do direito à propriedade. Qualquer interpretação fora desse parâmetro, é no mínimo, cega.

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  8. Rodrigo,

    Recomendo um jargão mais atualizado do que o de 1917 para desenvolver seus argumentos.

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  9. Recomendo que você responda às críticas em vez de se esconder atrás da gramática.

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  10. Olá

    Puxa, o pessoal que reclamou parece até que não leu o texto...

    Se isto for o caso então muita coisa faz sentido: pessoas estão tomando decisão antes d ter todas informações. Aí é praticamente certo decidir ações equivocadas.

    Depois só resta justificar a posteriori

    Pelo que sei, o pessoal da FT não se importa com a orientação sexual de outras pessoas.

    Pode ser que algumas pessoas fiquem zangadas com isto...

    Saudações

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  11. Prof. Leonardo,

    Esse costume de não se ler o texto e tecer críticas vazias parece ser, infelizmente, uma tendência.

    Seja bem-vindo ao blog, e obrigado pela participação.

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  12. o costume de não responder às críticas feitas parece refletir a incapacidade arguemntativa do autor - afinal, sempre dizer que os outros não o compreenderam é mais fácil que pensar.

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  13. "Não se gasta vela boa com defunto ruim", já apregoa o velho adágio.

    Críticas inteligentes são respondidas. Verborragias repetitivas são ignoradas.

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  14. Excelente texto. Infelizmente esse pessoal metido a revolucionário (que a mim está mais pra anarquia), sempre consegue distorcer o que lê e ainda querer justificar as besteiras como "liberdade de expressão".

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  15. Pau nessa gente e ponto final. Bando de desocupado precisando urgentemente de uma carteira de trabalho assinada.

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  16. Eles sempre foram e são violentos, vide as agressões covardes a cristãos nos EUA e aqui, vide a baixaria na frente da Catedral em Coritiba, os atos sexuais explícitos na frente de crianças nas paradas, etc

    Querem respeito, dêem-se ao respeito! Afrontar o Direito à Propriedade, vandalizando os cartazes, é crime, e a universidade deveria punir duramente quem o faz.

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  17. Gramática é bem diferente de contexto. O autor pede que se LEIA o texto ! Que se entenda o que se quer dizer. Nada a ver com GRAMÁTICA ! Verborragia de esquerda, do século passado, cansa ! Quanto ao ''respeito '', penso que um ambiente de estudos não é lugar para beijos e ''pegação'', nem homo nem hetero !

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