sexta-feira, 25 de junho de 2010

A (des)integração da UnB

O post de hoje não será o anunciado ontem. Há algo muito mais urgente para ser discutido.

Estamos repassando essa notícia para todos. Essa situação está mais do que insustentável e a postura da administração da Universidade de Brasília tem sido a de empurrar o problema com a barriga.

O texto abaixo foi retirado do blog Paraíso de Medos, de uma estudante da UnB que tem aulas no "campus" de Ceilândia.

Desde que se cogitou a proposta da construção dos novos campi da Universidade de Brasília nas cidades Gama, Planaltina e Ceilândia sentimo-nos vitoriosos, principalmente a em Ceilândia, que recebeu um campi com cinco cursos na área de saúde: Enfermagem, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional, Farmácia e Fisioterapia. É inegável a proposta inovadora que a universidade pretende cumprir numa cidade onde existe uma carência sistêmica principalmente na área de saúde.

Infelizmente, estamos cada dia mais distantes de uma formação de qualidade capaz de cumprir essa proposta. Desde o primeiro vestibular realizado para esse campi, no 2° semestre do ano de 2008, os alunos têm vivido uma realidade acadêmica precária que até o momento foi apenas “remendada” com soluções paliativas e temporárias. As primeiras turmas deste campi tiveram boa parte de suas aulas num local improvisado no centro da Ceilândia. Não havia estrutura, laboratório, ventilação ou condição alguma para a ministração de aulas, e a promessa de entrega do campi definitivo estava prevista para outubro do mesmo ano (2008), prazo não cumprido pela empresa ganhadora da licitação e pelo GDF.

Em 2009 os alunos foram deslocados para outro local provisório, o Centro de Ensino Médio 04 da Ceilândia (CEM 04), resultando em remanejamento de alunos ali matriculados devido a presença dos alunos da UnB dividindo o espaço com a instituição. O CEM 04 contava com uma maior estrutura (ainda precária) oferecendo um maior acervo de livros na biblioteca, um laboratório de informática e um laboratório multiuso; mesmo neste novo local as condições eram ruins, não havia espaço para uma turma inteira fazer uso desses ambientes ao mesmo tempo. Um novo prazo de entrega do campi foi dado: março de 2010.

Enquanto essa realidade nos confrontava e o atraso das obras era evidente, fizemos protestos e pressionamos a reitoria que nos deu um novo prazo: 21 de abril de 2010 (aniversário de Brasília). O prazo não foi cumprido e devido a demanda de alunos aprovados no vestibular a cada semestre, o espaço no CEM 04 tornou-se insuficiente. Mais uma vez, como solução temporária, a UnB alugou duas salas na Escola Técnica de Ceilândia, nas proximidades do CEM 04, onde estão sendo administradas aulas de algumas disciplinas. E as obras do campi definitivo estão totalmente paradas.

Hoje estamos vivendo essa realidade, o CEM 04 e a Escola Técnica de Ceilândia não são capazes de suportar os alunos dos quatro períodos dos cinco cursos, não temos restaurante universitário, não temos exemplares de livros suficientes, não temos aulas práticas suficientes nem de qualidade, não temos laboratórios individualizados para cada departamento, não temos condições mínimas de estudo (as salas são superlotadas, faltam cadeiras, falta espaço na biblioteca, falta espaço nos laboratórios), não temos segurança suficiente (devido a grande movimentação da área, muitas pessoas são assaltadas e carros são furtados em plena luz do dia) e estamos vivendo de medidas provisórias há dois anos. Dois anos!

Como se não fosse o suficiente, a comunidade acadêmica de Ceilândia é ignorada e a integração entre os campi não faz sentido, uma vez que existe o transporte gratuito inter campi, mas a burocracia para conseguir pegar aulas em outros campi é absurda, quando deveria ser feita via internet! E estamos passando por um pós-greve dos professores que resultou em um calendário retroativo, onde não teremos férias e estamos a 100 dias sem funcionários e técnicos devido a atual greve da classe, o que resulta em biblioteca e laboratórios trancados.

Nós queremos uma formação de qualidade, queremos ser ouvidos, queremos ser valorizados, queremos ter boas condições de estudo; nós não somos o “resto” da UnB, somos parte integrante (Gama, Planaltina, Ceilândia e Darcy Ribeiro) da Universidade e queremos ser tratados como tal.

Se você se sensibiliza pela causa, encaminhe esse texto para protesteja@band.com.br.

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