domingo, 20 de junho de 2010

Centros acadêmicos, farras e DCE

Não somos arbitrariamente contra a ideia de os centros acadêmicos da UnB promovorem seus happy hours. Compreendemos que essas confraternizações são bastante importantes não só para estreitar os laços entre os estudantes de um mesmo curso, mas também para arrecadar fundos para os CAs. Entretanto, somos contra a maneira como isso tem acontecido atualmente, com festas regadas a muito álcool, música altíssima e, em alguns casos, consumo de drogas ilícitas. Acreditamos que há maneiras mais saudáveis e eficientes de se fazer os happy hours - maneira que levem em consideração o direito dos outros em ter aulas e circular livremente pelo ICC sem incômodos desnecessários.

No nosso post anterior, lançamos uma pergunta: por que o DCE não convoca uma reunião com os CAs para discutir a questão das festas, já que têm provocado esses problemas? Afinal, é função do Diretório Central dos Estudantes zelar pelos interesses da comunidade discente da UnB, e é interesse primordial dos alunos terem paz e sossego para terem suas aulas sem precisar lutar contra som alto para ouvir o professor em sala. Ainda não sabemos a resposta para essa pergunta, mas gostaríamos de chamar atenção para um fato interessante.

A universidade abrigou o evento UnB Fora do Armário!, cujo objetivo era discutir as políticas e a realidade LGBTTT na universidade, nos dias 17 e 18 de maio. Ao fim do evento, foi realizada uma grande festa na entrada da ala norte do ICC, local onde fica o DCE. O lugar foi devidamente decorado para o happy hour (chamava a atenção de quem ali passava uma grande bandeira do Brasil à qual foram afixadas as cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTTT) e contou com DJs tocando música mecânica.

O som era estrondoso. Pelo menos uma centena de pessoas aglomerou-se ali para beber, conversar e curtir a festa, o que atrapalhou muito a movimentação de pessoas em trânsito para outros pontos do campus. Pessoas com dificuldade de locomoção, não conseguindo passar pelas pessoas ali reunidas, tiveram que dar a volta para conseguir passar. A música podia ser ouvida com clareza da entrada da ala sul e do acesso no fim da ala norte do ICC, atrapalhando as aulas que aconteciam num raio de 200 metros.

Esse fato abre margem para questionamentos à postura do DCE. Por que não realizar a festa no teatro de arena, espaço que é suficientemente longe do ICC para abrir uma festa desse porte e, assim, não atrapalhar a rotina acadêmica da universidade? Será que não havia outra maneira de se realizar a festa, outra opção de confraternização para marcar o fim do evento? Essas dúvidas pairam ainda sem resposta.

Próximo post: desrespeito, esquizofrenia e a luta contra a homofobia na UnB.

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