quinta-feira, 17 de junho de 2010

Alunos da UnB tiram a roupa em mais um "protesto"

Como todos devem saber, ontem foi a estreia da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo. O jogo foi contra a seleção da Coreia do Norte. Boa parte da população do Distrito Federal esteve atenta ao jogo, que terminou em 2 a 1 para a seleção brasileira.

Entretanto, um grupo de estudantes de Artes Cênicas da UnB, segundo noticiado pelo jornal O Globo (e reproduzido pela Secom/UnB), teve uma ideia diferente para passar o tempo durante a partida da seleção brasileira. Munidos apenas de máscaras de personalidades políticas - nem o saudita Osama Bin Laden escapou -, jogaram uma peladinha diante do Congresso Nacional completamente pelados. Isso aí, nus como Deus (ou quase) os pôs no mundo. A justificativa para o "protesto"? Mostrar como o futebol aliena e ludibria as pessoas.

Há maneiras e maneiras de se protestar. O movimento Rio de Paz, por exemplo, colocou 700 cruzes na Praia de Copacabana para simbolizar os mortos pela violência na cidade do Rio de Janeiro. Foi um gesto simbólico de grande peso para evidenciar o caos em que vivem mergulhadas as grandes metrópoles do País. Esse protesto promovido pelos alunos de Artes Cênicas da UnB, entretanto, simboliza apenas uma coisa: a vulgaridade banal usada com o simples intuito de se chamar atenção - não para um problema, mas apenas para o gesto em si.

Esse tipo de comportamento é extremamente nocivo para o curso de Artes Cênicas e para a própria Universidade de Brasília. Hoje, nos corredores da UnB, não foram poucos os comentários negativos com relação a esse pretenso protesto. Qual o objetivo, no fim das contas? Por que tirar a roupa? Por que não se pensar em uma forma mais efetiva e menos despropositada de protesto para algo que se considera um problema?

São comportamentos como esse - que, além de completamente desnecessários em sua manifestação, não conseguem nem de longe atingir seus objetivos - que abastacem de argumentos os que defendem que os estudantes da UnB não têm noção das coisas, que são vagabundos que consomem o dinheiro dos impostos pagos pela população e que permitem que a universidade exista. Como estudantes dessa universidade, nos sentimos profundamente achincalhados por um ato que é, a um só tempo, irresponsável e ridículo.

15 comentários:

  1. E falam em nome da democracia? Certamente a melhor democracia que o dinheiro pode comprar né?

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  2. Meus amigos, quero dizer que os apóio (e sou conservador também em relação à sempre-em-mutação Língua Portuguesa), que não suporto as raulzetes (seguidoras das doutrinas do Raul, presidente do DCE), em que pese ser do curso de Sociologia (quem diz que faz Ciências Sociais está à deriva lá dentro). E não digo @s raulzetes para parecer politicamente correto. Fiquei surpreso ao ler sobre essa NOVA manifestação inócua, uma vez que já havia troçado daquela primeira em ODE (porque não dá pra pensar que é outra coisa) à Geisy Arruda... Eu tinha elaborado um pequeno texto sobre isso que indignou alguns marotos, segue (no que eu puder ajudar... tenho outras coisas no arquivo, menos subjetivas e que também depõem contra a corja):

    15 MINUTOS DE FAMA (DOS NINFOMANÍACOS DA UNB)

    Abaixei as calças, deixei-me fotografar, tornei-me uma celebridade. A vida andava meio... entediante. Mas salvei o dia! Amanhã eu penso em outra traquinagem boa o suficiente para interessar a um jornalista. Tarefa essa cada vez mais capciosa, uma vez que os jovens estão “botando pra quebrar”. E há jovens de todas as idades...

    Terei eu logrado a eternidade, com um pequeno espaço no pior papel do mundo (aquele que desmancha quando chove)? Me impressiona as pessoas ainda terem olhos para penetrar nesse preto borrado depois de três séculos! Borrado por borrado, prefiro pagar para lerem meu destino no fundo da xícara de café.

    E não somos uns carolas reacionários puritanos? Até aqueles à flor da pele acham histriônica a idéia da nudez. Uns ridículos de reitoria desfazendo os anos 60...

    Pergunta: por que só tem mulher horrorosa nesses “atos”? (Sobre o ATO – como vulgarizar peças de teatro: chamando o burburinho dos rebeldes sem-causa de AÇÃO. Muito fácil ser ator!)

    Unindo o útil ao agradável: quem luta pensa que “sofre pelos outros”. Sofrendo estou eu, nesse calor, com vontade de tirar a roupa mas guardando lá minha dignidade e inocência – quando fico pelado, não é para causar sensação, mas para lembrar que ainda sou gente.


    Assinado: fã!

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  3. vcs não admitem comentários ofensivos e se envergonham de uma nudez feita por alunos de artes que , apesar de estudarem na unb, tem uma idéia completamente diferente a respeito do corpo do que provavelmente tem vcs ,"conservadores" ( que não admitem opiniões "ofensivas")....
    essa coisa toda de juventude conservadora, que sai por aí colando cartazes e fazendo manifestos é para que ??

    para chamar a atenção não é?

    ao menos chamar a atenção ficando pelado é bem mais digno e mais sincero do que sustentar essa coisinha toda esquisitinha ae de falácias morais enrustidas em cada nódulo do corpo que , afe!!, num deve nem saber direito o que é a nudez e como ela pode ser experimentada....

    mas , calma, muita calma porque eles podem fazer pior, são mais criativos do que isso esses tais "artistas", pode ter certeza que a VOSSA VERGONHA É A NOSSA ALEGRIA!!!!!!

    aguardem para mais ....a nudez não é nada frente a experimentação maciça de certas vergoinhas dos outros...

    tapa o pintinho vai!!!!

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  4. Sabe qual é o melhor de alguns comentários? Eles nem precisam de réplica: são um monumento ao ridículo por si mesmos. Poder-se-ia dizer que só tem tempo de "protestar" pelado quem não tem mais o que fazer - como trabalhar, por exemplo -, mas isso já é meio óbvio, né?

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  5. Nossa. Eu tô impressionado com isso tudo. Acho que acho graça... Acho graça para não ofender vossa elegantérrima e meticulosamente gramaticada JUVENTUDE CONSERVADORA. Gente estranha, viu? Não quer ser ofendido, mas vive grudando cartaz. Acha que vai mudar algo? Vai ser feliz, gente bonita! Faz como eu, e muitos que gozam de felicidade... Vai dar o cú. =]

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  6. Kael Studart, um dos reizinhos das Artes Cênicas! Quanta honra! Entendo que lhe é assaz aprazível sexo anal, mas, para nossos esfíncteres, basta o sentido vetorial natural e necessário. De qualquer modo, obrigado pela participação.

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  7. Juventude Conservadora da UnB...quem diria.
    Será que há algo mais sessentista e com um certo deja vu de Marcha da Familia com Deus pela "liberdade".
    Que movimento é esse?QUE VERGONHAAAA.
    A ditadura foi uma vergonha pro país, e vocês pretendem mantê-la viva?
    ok. Nós somos piores, muito piores.
    Nós temos bananas, pra dar e vender. E pretendemos mostrá-las em publico.
    Há!

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  8. Facilmente chega-se a uma conclusão lendo esses comentários: tem muito palhaço para pouco picadeiro.

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  9. Sou aluno de artes e estou de acordo com o blog. Ao passear pelo IdA vemos alunos que fazem de tudo para aparecer. Não sabem a diferença entre o nú e o vulgar.
    Nem todo manifesto deve ser necessariamente nú, existem maneiras mais inteligentes de manifestar. Digo mais, nem sempre é necessário manifestar. A maioria das pessoas na UnB tem opinião formada e não se deixam levar por estas coisas.

    Apoio o blog, só aconselharia a não caluniar ninguém, como no comentário acima. Ficam no mesmo patamar que os que estão contra vocês, achando que existe uma verdade única e a opinião dos outros é ultrapassada.

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  10. Nossa eu estou chocada com os argumentos da Juventude Conservadora. Artista não é ninfomaníaco só por causa do nú. O nú na arte tem um olhar diferente do que vcs pensam, é algo artístico, belo e principalmente puro. Claro que existem exceções tem muita gente que se diz artista e usa a arte como pretexto, mas os estudantes que manifestaram com certeza nao fazem esse tipo.
    vocês não são artistas e nem entendem de arte, acham que novelinha da globo é exemplo de perfeição artística. Pra falar de arte tem que se fazer arte, e com certeza vocês nunca fizeram pra ter uma mente tão fechada e pra desmerecer um trabalho de um artista. Vocês não sabem dar uma opnião sem ridicularizar um artista a ponto de chamar de "Vagabundo" e "Ninfomaníaco".
    Parabéns ao grupo a retroceder a sociadade e a xingar um artista. Bravo

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  11. Agradecemos a participação, Bárbara, e repetimos uma sugestão já muito feita nesse blog: aprenda a ler um texto até o fim.

    Pedro, não caluniamos ninguém aqui. Apenas reagimos na exata medida em que nossos detratores nos mostram seu alto poder argumentativo e seu profundo respeito por quem tenha opiniões divergentes.

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  12. Notei uma coisa:

    A Juventude Conservadora da UnB tem basicamente dois tipos de respostas:

    1) Obrigado pelo apoio

    2) Você não leu o texto até o fim.

    Acho lamentável que o poder de contra-argumentação que vocês tanto evocam resuma-se a assumir que o interlocutor não compreende o que você escreve, ou pior, que não leu.

    Prepotência transborda por aqui.

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  13. Iara,

    Estava sumida, hein? Pelo visto, sentiu nossa falta.

    Façamos assim, então:

    1) Você leu o texto?

    2) Quais são as suas críticas, especificamente?

    3) Você faz parte da pequena campanha de difamação que está acontecendo no Departamento de Artes Cênicas contra nós?

    E, por favor, sem acusações infantis de que não entendemos o que é arte, de que somos burgueses, fascistas, nazistas e toda essa baboseira que não cola.

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  14. Hahaha "sentiu nossa falta?" Quem está sendo infantil mesmo hein?

    Caros, eu nem faço artes cênicas, pra começar. Minha crítica é para com a forma com que vocês respondem a muitos dos comentários contrários que aparecem por aqui.

    E sim, apesar de, vez ou outra, ler os textos de vocês - quando me apetece entrar no blog, não vejo mais sentido em discutir por meio de comentários. A meu ver, sempre que encontram uma opinão realmente destoante, vocês não se disponibilizam a um debate de idéias: limitam-se a supor que o outro não leu o texto.

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  15. Iara,

    Eu, que cuido do blog para a o grupo, já tenho alguma experiência em saber quando leram ou quando não leram um texto. As pessoas buscam por palavras-chave, leem o título, talvez o primeiro parágrafo, e, depois, acham que tem argumentos o suficiente para criticar. E não é bem assim que se faz.

    Se você procurar no blog, encontrará comentários de pessoas que não apenas leram os textos, como criticaram - de maneira muito bem embasada, aliás - os nossos argumentos. A essas pessoas, tivemos o cuidado de responder de igual maneira.

    Para se criticar um grupo por suas ideias, não é necessário atacá-lo, colocar-lhe rótulos pré-definidos. Pode-se muito bem criticar um grupo, ou suas ideias, de uma maneira precisa, sem desperdiçar palavras com ataques infundados.

    Olhe esse exemplos: "tapa o pintinho vai!!!!"; "Faz como eu, e muitos que gozam de felicidade... Vai dar o cú. =]"; "Vocês não sabem dar uma opnião sem ridicularizar um artista a ponto de chamar de 'Vagabundo' e 'Ninfomaníaco'". Isso tudo foi dito por nós? Não. Como está bem claro no texto, atacamos o protesto em si. Em momento algum difamamos ninguém. Entretanto, as pessoas que comentaram no texto nos difamaram sim, pois atribuíram a nós coisas que não falamos. Disso, só podemos depreender que ou as pessoas não leram nosso texto até o fim, ou optaram voluntariamente pela estupidez. Preferimos acreditar na primeira tese já que defender a segunda seria calunioso.

    Espero que essa explicação tenha sido clara. Se quiser falar algo mais, fique à vontade.

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