quarta-feira, 30 de junho de 2010

Guerrilha, ditadura e idolatria na UnB

As universidades sempre foram incubadoras de movimentos esquerdistas de caráter extremista que se autointitulam populares, classistas e revolucionários. A lógica de suas ações deriva do ideário bolchevique tal qual era em 1917. Para esses movimentos, a sociedade é movida unicamente pela luta de classes, em que os burgueses - malvados, cruéis, perversos, sanguinolentos, opressores e exploradores - devem ser combatidos pelo proletariado - explorados, oprimidos, vítimas do sistema. A Universidade de Brasília, evidentemente, não está imune a esse tipo de movimento.

Em alguns lugares do ICC, é possível encontrar cartazes de um grupo chamado Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR. Em seu site, o MEPR informa:

O MEPR se guia por dois princípios, "servir o povo de todo coração" e "ser tropa de choque da revolução", como definiram dois grandes revolucionários o papel da juventude:
"Qual é o critério que permite determinar se um jovem é ou não revolucionário? Como fazer tal distinção? Apenas existe um critério: verificar se este jovem quer ou não ligar-se às grandes massas operárias e camponesas e se, efetivamente se liga a elas.Se ele ligar-se aos operários e camponeses e se o faz efetivamente, então ele é um revolucionário; no caso contrário, é um não revolucionário ou um contra-revolucionário. Se hoje ele se liga às massas de operários e camponeses, hoje ele é um revolucionário. Mas se amanhã ele deixa de ligar-se a elas ou passar a oprimir as pessoas simples do povo, então ele será um não revolucionário ou um contra-revolucionário." (Mao Tsetung em "A orientação do movimento da juventude" - 4 de maio de 1939)
"A juventude revolucionária é reserva e vanguarda de choque da revolução proletária" (Josef Stálin)

Diante da sede do Centro Acadêmico de Serviço Social (CASESO), é possível ver um grande mural improvisado no qual são apresentadas as fotos de alguns guerrilheiros que participaram da chamada Guerrilha do Araguaia durante a Ditadura Militar. O mural os identifica como mártires do povo.

Primeiro, comecemos uma pequena exposição sobre os "grandes revolucionários" citados no trecho retirado do site do MEPR.
- Mao Tse-tung tomou o poder na China em 1949. Em 1958, o governo comunista lançou o programa econômico Grande Salto Adiante, que proibia o cultivo de terras privadas e realocou milhões de camponeses na produção industrial de ferro e aço. A consequência direta desse plano foi a morte de aproximadamente 35 milhões de chineses entre 1958 e 1961. A causa da morte? Fome. O Grande Salto serviu de inspiração para a Revolução Cultural Chinesa (1966 - 1976), no qual as universidade chinesas foram paralisadas, intelectuais considerados "reacionários" e "imperialistas" foram duramente perseguidos, o Livro Vermelho ditava todos os aspectos da vida do povo, e Mao foi praticamente elevado ao status de divindade terrena na China.

- Josef Stálin governou a União Soviética entre 1924 e 1953. Em 23 de agosto de 1939, os governos de Stálin e Hitler assinaram o Pacto Molotov-Ribbentrop. O pacto assegurava: a não-agressão entre Alemanha e União Soviética; o apoio nazista à invasão soviética da Finlândia; o apoio soviético à invasão alemã da Polônia; a partilha da Europa Oriental entre Alemanha (Lituânia e metade da Polônia) e URSS (Estônia, Letônia e zonas da Finlândia, Romênia e Bulgária); troca de petróleo caucasiano e trigo ucraniano, da URSS, por material bélico e ouro alemães. Estima-se entre 20 e 35 milhões o número de soviéticos mortos de fome durante o governo de Stálin - isso sem contar as baixas da Segunda Guerra ou os expurgos promovidos a partir de 1936.

Um movimento que defende ideias pregadas por esses "grandes revolucionários" não pode ser levado a sério. A defesa de teses ultrapassadas, frequentemente associadas a nomes de ditadores e genocidas, é um anacronismo pernicioso sustentado por mentes engessadas ditadas pelo velho maniqueísmo dualista tão alardeado nos idos de 1917. O que não falta nas universidades brasileiras, especialmente na UnB, são indivíduos que defendem esses ideais.

Tratemos, agora, dos "mártires" do povo que o MEPR tanto idolatra. Ao contrário do que se sustenta, aqueles que pegaram em armas para lutar contra a Ditadura Militar não foram defensores da democracia. Nenhum dos grupos guerrilheiros que lutaram contra o Governo Militar - Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), Comando de Libertação Nacional (COLINA), Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) - defendeu a substituição do regime de então por um governo democrático, mas a instauração de uma ditadura socialista. A maioria desses grupos angariava seus recursos em assaltos a bancos e promoviam, dentre outras coisas, sequestros, atentados à bomba e assassinatos.

Em pleno século XXI, não é concebível que estudantes universitários, que possuem um nível de acesso à informação e ao conhecimento que a esmagadora maioria da população não possui, defendam indivíduos que roubaram, sequestraram e assassinaram não em nome da democracia, mas em nome de modelos de governo ditatoriais que foram responsáveis pela morte de dezenas de milhões de pessoas. Nem mesmo a luta contra um regime opressor e agressivo fornece uma justificativa plausível para isso.
Grupos como o MEPR não representam os estudantes ou o "proletariado", mas apenas os ideais retrógrados e ditatoriais de grupos que pararam no tempo e não conseguem se adequar à realidade brasileira.

Próximo post: A Oposição CCI - Caudilhista, Caduca e Irresponsável

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Polícia nos campi: por que não?

No dia 15 de março, uma estudante da UnB foi estuprada nos arredores do campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. O caso, de gravidade revoltante, teve grande repercussão, o crime foi amplamente noticiado e trouxe à tona uma importante questão de segurança: a polícia deve ou não atuar dentro dos campi?

Muitos são os argumentos que nutrem a resistência à presença de policiamento ostensivo dentro da Universidade de Brasília. Fala-se sobre a truculência policial, alega-se uma possível ameaça à autonomia universitária, e há ainda aqueles que justificam sua resistência relembrando a invasão à UnB em 1968 (retratada no documentário Barra 68, de Vladimir Carvalho). Já houve até uma grande confusão por conta da atuação da polícia no campus Darcy Ribeiro.

Há quase 8 anos, na primeira quinzena de julho de 2002, cinco estudantes da UnB foram presos pelo Batalhão de Operações Especiais (BOPE) dentro do campus Darcy Ribeiro por porte de drogas. Na época, o caso gerou uma confusão dos diabos: o DCE convocou os estudantes para protestar no prédio da Reitoria contra a ação da polícia e preparar uma carta repudiando veementemente a atuação policial dentro do campus. Instaram o então vice-reitor, Timothy Mulholland, a assinar o documento, que seria encaminhado para a Secretaria de Segurança do Distrito Federal. "Se ele não assinar, vamos começar uma greve de fome", ameaçou, à época, um dos membros do DCE, Rodrigo Grassia. O Prof. Dr. Antônio Sebben, então presidente da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), declarou: "A polícia tem de desenvolver um trabalho ativo, mas sem armas, dentro da universidade, já que a UnB tem um histórico de invasão e morte por causa da polícia."

Não vivemos em um período de exceção. A Ditadura Militar caiu há um quarto de século. A invasão à UnB promovida em 1968 ocorreu quarenta e dois anos atrás. Esses fantasmas do passado não podem mais continuar rondando a universidade, tolhendo a capacidade de raciocínio dos membros da comunidade acadêmica e levando ao ataque de medidas necessárias para a segurança de toda a Universidade de Brasília.

É inegável que alguns policiais frequentemente recorrem a excessos - que, às vezes, tornam-se crimes injustificáveis. Entretanto, a polícia serve para para proteger o cidadão, para agir em nome da segurança coletiva. Logicamente, a presença da polícia não é a única solução para a questão da segurança dentro da UnB: boa iluminação dos campi, além de capacitação e ferramental para os seguranças da universidade, são medidas igualmente essenciais. Entretanto, acreditamos ser inconteste o fato de que a presença de policiamento ostensivo em todos os campi da UnB - Darcy Ribeiro, Planaltina, Gama e Ceilândia - vai contribuir muito para a segurança de professores, funcionários e estudantes.

Próximo post: guerrilha, ditadura e idolatria na UnB.

sábado, 26 de junho de 2010

Por que incomodamos tanto?

Essa pergunta não é retórica. Ela é realmente uma pergunta. Por que incomodamos tanto? O que há de tão ofensivo e intolerável em nossas opiniões, em nosso olhar particular sobre a situação indubitavelmente caótica em que estamos na Universidade de Brasília?

Somos alunos bastante preocupados com a universidade que temos hoje. Temos observado situações degradantes que têm atrapalhado o cotidiano acadêmico e que têm recebido muito maior importância do que questões mais urgentes dentro de nossa universidade - como a falta de integração entre os campi, a infraestrutura sucateada, a defasagem dos currículos dos cursos, dentre outros problemas. Falamos aqui contra "protestos" cujo único objetivo é chamar atenção desnecessária de uma maneira que beira o ridículo, contra a profunda e perniciosa influência de partidos políticos dentro do movimento estudantil, contra o comportamento reacionário de alguns grupos que evocam para si a imagem de defensores da igualdade. Nossos textos demonstram a preocupação que nós temos com os rumos da nossa universidade, com a qualidade do ensino e com a civilidade no cotidiano da comunidade acadêmica.

Muita gente não gostou. Os comentários que aí estão disponíveis para quem quiser conferir atestam isso com facilidade. Pouco se vê de argumentos sérios nas mensagens de nossos detratores - achamos que talvez seja porque as pessoas, normalmente, têm preguiça de ler um texto até o fim e de analisar de modo sensato seu conteúdo. A quase totalidade dos que nos criticam partem para o ataque pessoal, ofendendo, acusando, todos muito ansiosos por conferir rótulos ultrapassados. Já nos chamaram de extremo-burgueses. Já insinuaram que admiramos o período da Ditadura Militar.

No começo, achamos que muitas pessoas fossem se opôr àquilo que pensamos. Tínhamos em mente que a divulgação de nossas ideias sobre o que tem acontecido na UnB iria acabar atraindo pessoas que pensam de maneira divergente e que iriam usar esse espaço para expor essa divergência. Entretanto, esperávamos que essa exposição fosse bem composta de argumentos bem concateados, onde o desejo de discutir de ideias seria sobrepujado pelo mero afã de agredir o outro - afinal, respeito é algo que se deve ter com todos. Para nossa surpresa - e, em parte, decepção -, isso não aconteceu.

Então, fica lançada a pergunta, e sinta-se à vontade para respondê-la quem se achar apto: por que incomodamos tanto?

Próximo post: polícia no campus - por que não?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A (des)integração da UnB

O post de hoje não será o anunciado ontem. Há algo muito mais urgente para ser discutido.

Estamos repassando essa notícia para todos. Essa situação está mais do que insustentável e a postura da administração da Universidade de Brasília tem sido a de empurrar o problema com a barriga.

O texto abaixo foi retirado do blog Paraíso de Medos, de uma estudante da UnB que tem aulas no "campus" de Ceilândia.

Desde que se cogitou a proposta da construção dos novos campi da Universidade de Brasília nas cidades Gama, Planaltina e Ceilândia sentimo-nos vitoriosos, principalmente a em Ceilândia, que recebeu um campi com cinco cursos na área de saúde: Enfermagem, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional, Farmácia e Fisioterapia. É inegável a proposta inovadora que a universidade pretende cumprir numa cidade onde existe uma carência sistêmica principalmente na área de saúde.

Infelizmente, estamos cada dia mais distantes de uma formação de qualidade capaz de cumprir essa proposta. Desde o primeiro vestibular realizado para esse campi, no 2° semestre do ano de 2008, os alunos têm vivido uma realidade acadêmica precária que até o momento foi apenas “remendada” com soluções paliativas e temporárias. As primeiras turmas deste campi tiveram boa parte de suas aulas num local improvisado no centro da Ceilândia. Não havia estrutura, laboratório, ventilação ou condição alguma para a ministração de aulas, e a promessa de entrega do campi definitivo estava prevista para outubro do mesmo ano (2008), prazo não cumprido pela empresa ganhadora da licitação e pelo GDF.

Em 2009 os alunos foram deslocados para outro local provisório, o Centro de Ensino Médio 04 da Ceilândia (CEM 04), resultando em remanejamento de alunos ali matriculados devido a presença dos alunos da UnB dividindo o espaço com a instituição. O CEM 04 contava com uma maior estrutura (ainda precária) oferecendo um maior acervo de livros na biblioteca, um laboratório de informática e um laboratório multiuso; mesmo neste novo local as condições eram ruins, não havia espaço para uma turma inteira fazer uso desses ambientes ao mesmo tempo. Um novo prazo de entrega do campi foi dado: março de 2010.

Enquanto essa realidade nos confrontava e o atraso das obras era evidente, fizemos protestos e pressionamos a reitoria que nos deu um novo prazo: 21 de abril de 2010 (aniversário de Brasília). O prazo não foi cumprido e devido a demanda de alunos aprovados no vestibular a cada semestre, o espaço no CEM 04 tornou-se insuficiente. Mais uma vez, como solução temporária, a UnB alugou duas salas na Escola Técnica de Ceilândia, nas proximidades do CEM 04, onde estão sendo administradas aulas de algumas disciplinas. E as obras do campi definitivo estão totalmente paradas.

Hoje estamos vivendo essa realidade, o CEM 04 e a Escola Técnica de Ceilândia não são capazes de suportar os alunos dos quatro períodos dos cinco cursos, não temos restaurante universitário, não temos exemplares de livros suficientes, não temos aulas práticas suficientes nem de qualidade, não temos laboratórios individualizados para cada departamento, não temos condições mínimas de estudo (as salas são superlotadas, faltam cadeiras, falta espaço na biblioteca, falta espaço nos laboratórios), não temos segurança suficiente (devido a grande movimentação da área, muitas pessoas são assaltadas e carros são furtados em plena luz do dia) e estamos vivendo de medidas provisórias há dois anos. Dois anos!

Como se não fosse o suficiente, a comunidade acadêmica de Ceilândia é ignorada e a integração entre os campi não faz sentido, uma vez que existe o transporte gratuito inter campi, mas a burocracia para conseguir pegar aulas em outros campi é absurda, quando deveria ser feita via internet! E estamos passando por um pós-greve dos professores que resultou em um calendário retroativo, onde não teremos férias e estamos a 100 dias sem funcionários e técnicos devido a atual greve da classe, o que resulta em biblioteca e laboratórios trancados.

Nós queremos uma formação de qualidade, queremos ser ouvidos, queremos ser valorizados, queremos ter boas condições de estudo; nós não somos o “resto” da UnB, somos parte integrante (Gama, Planaltina, Ceilândia e Darcy Ribeiro) da Universidade e queremos ser tratados como tal.

Se você se sensibiliza pela causa, encaminhe esse texto para protesteja@band.com.br.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Laicidade e liberdade religiosa na UnB

O termo "laico" significa secular. Dizer que o Estado brasileiro é laico significa dizer que o Estado brasileiro não possui laços oficiais nem influência de nenhum credo religioso. Isso está bem definido no inciso I do artigo 19 da Constituição:

"Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; [...]"

Isso significa que o Estado brasileiro - seja a nível federal, estadual ou municipal - é separado de quaisquer religiões. Tendo em vista a evolução histórica das democracias ocidentais, essa separação é importantíssima.

Deixando os aspectos jurídicos de lado, podemos dizer que, já que o Estado brasileiro é laico, suas instituições também devem ser laicas. Isso significa que, por exemplo, a Universidade de Brasília não pode, enquanto instituição pública, ver-se mesclada a uma determinada religião e, a partir daí, orientar-se de acordo com a visão dessa religião. Isso mutilaria a universidade sob diversos aspectos.

Essa laicidade não se estende, entretanto, aos grupos religiosos presentes na comunidade acadêmica. Afinal, assim reza a nossa Constituição:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
[...]
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
[...]
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; [...]"

Cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, umbandistas, candomblecistas, wiccas, todos merecem ter seu espaço de congregação dentro da Universidade de Brasília uma vez não interfiram nas atividades acadêmicas de maneira negativa. Todos também têm direito também a divulgar as atividades de seus grupos religiosos (respeitadas as normas devidas, para evitar confusões).

Recentemente, o Núcleo de Vida Cristã da UnB afixou alguns cartazes nos murais do ICC com mensagens religiosas sem cunho ofensivo de qualquer tipo. De acordo com o exposto até agora, o NVC exerceu seu direito de divulgação e liberdade religiosa. Infelizmente, alguns desses cartazes foram rasgados, e outros, arrancados. Há uma tendência crescente e perceptível de alguns setores da comunidade acadêmica em lutar pela dissolução de grupos como o NVC. O argumento utilizado nessa luta é o de que a laicidade da universidade se estende também a sua comunidade. Tal pensamento não é somente errôneo, mas inconstitucional.

A liberdade religiosa de toda a comunidade acadêmica deve ser respeitada, não apenas por se tratar de lei, mas também por ser uma questão de civilidade.

Próximo post: por que incomodamos tanto?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Consumo e tráfico de drogas na UnB - mito ou verdade?

Já falamos aqui sobre as farras descabidas que têm acontecido na UnB e sobre como atrapalham a vida acadêmica. Falamos sobre a a venda e o consumo de álcool, e como as festinhas que têm sido promovidas por diversos CAs transformam alguns espaços da universidade em botecos. Hoje, vamos falar de uma coisa um pouco mais séria e grave do que o consumo de álcool na UnB: o consumo e o tráfico de drogas (ilícitas, que fique bem claro).

Há consumo de drogas na UnB? Sim. E não é pouco. Quantas vezes é possível sentir o cheiro da "maresia" nos corredores do ICC, seja de dia ou de noite? São tantas que se perde a conta. Alguns lugares no prédio já se tornaram famosos por conta do consumo dessa droga - como, por exemplo, os CAs de Antropologia e de História, sendo que neste último diz-se que houve um princípio de incêndio por conta de um cigarro de maconha (e aqui me refiro ao espaço físico, não aos centros acadêmicos em si).

Boa parte da maconha consumida na UnB é vendida dentro da própria instituição. Não é nada difícil conseguir um "baseado": com alguma conversa, em pouco tempo é possível chegar a um traficante e comprar um cigarro de maconha. Isso cria uma situação gravíssima: além de termos estudantes universitários que consomem a droga dentro da UnB, há aqueles que, além de consumir, traficam a droga. E maconha não é o máximo que se pode encontrar na universidade. Há boatos, ainda não confirmados, de consumo e tráfico de cocaína e crack dentro da UnB.

Alguns entusiastas do uso da cannabis, especialmente aqueles que apóiam de maneira ferrenha e resoluta a Marcha da Maconha, frequentemente citam um estudo recente da antropóloga Carolina Christoph Grillo sobre o tráfico de drogas entre os jovens de classe média do Rio de Janeiro. Assim diz reportagem publicada no site Último Segundo sobre a reportagem:

"O tráfico de drogas entre jovens de classe média no Rio é amador, desorganizado, baseado em relações de amizade e feito por consumidores que se tornam traficantes. Entre inúmeras diferenças para as quadrilhas das favelas, os vendedores de drogas do 'asfalto' são empreendedores individuais que se associam pontualmente, e condenam o uso da violência em seus negócios."

Para os defensores do argumento de que o tráfico amador de drogas é inofensivo, apesar de ilegal, gostaríamos de apontar dois pontos relevantes:

1 - Há centenas de estudos científicos que apontam que a maconha é porta de entrada para outras drogas, como cocaína, heroína, crack e merla.
2 - Ainda que o tráfico amador, tal qual mostrado na pesquisa da antropóloga Carolina Grillo, não seja violento, ele é uma ponte entre usuários e traficantes maiores. Em última instância, o dinheiro utilizado para pagar os traficantes amadores abastece as organizações narcocriminosas, fornecendo-lhes os recursos para drogas, armamento e corrupção. Um raciocínio frequentemente tachado como simplificação estúpida é apenas a expressão da mais pura verdade: quem usa drogas financia a violência.

Para boa parte da comunidade estudantil da UnB não é preciso dizer que há consumo e tráfico de drogas dentro da universidade. Não faltam histórias que relatem essa realidade revoltante. Infelizmente, os atores oficiais dentro do contexto administrativo da universidade não têm tomado nenhum tipo de medida contra esse fato. Diante dessa leniência, não podemos ficar de braços cruzados: precisamos, e com urgência, lutar para mudar essa situação.

Se você sabe mais sobre o tráfico de drogas dentro da UnB, denuncie à polícia. Caso saiba de alguma história e queira compartilhá-la conosco, deixe um comentário ou envie-nos um e-mail: unbconservadora@gmail.com.

Próximo post: laicidade e liberdade religiosa na UnB.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Movimento estudantil e partidarismo de esquerda

O movimento estudantil tem sido, há décadas, caracterizado por seu alinhamento de esquerda. Desde os idos do Estado Novo, passando pelo período bastante turbulento dos governos militares (cujo eco dentro do próprio ideário esquerdista é impossível não notar), as organizações de representação dentro do movimento estudantil são organizações de esquerda ideologicamente falando. Esse fato, por si só, não é censurável. Afinal, vivemos, hoje, em um Estado Democrático de Direito, um regime em que todos devem ter a segurança necessária de defender seu posicionamento político contanto que não fira aquilo que está expressamente vedado em nossas leis.

Entretanto, uma pergunta deve ser feita: as organizações representativas do movimento estudantil são o próprio movimento ou uma parte importante dele? A segunda resposta é, em nossa opinião, a correta. Essas organizações são formadas e seus membros, eleitos, para que os interesses dos estudantes sejam defendidos - como, no caso da UnB, transporte intra e intercampus, melhoria na infraestrutura de ensino, atualização dos currículos dos cursos, dentre outros.

Sabemos, entretanto, que isso, muitas vezes, não ocorre. Para os mais atentos a esse assunto e à dinâmica política dentro das universidades, os órgãos representativos do movimento estudantil servem para o encastelamento de membros de partidos políticos que enxergam, dentro da universidade, uma maneira de estender sua sua influência e marcar pontos no jogo político-partidário. São raros as chapas de DCEs que não recebem financiamento partidário e que, uma vez eleitas, alinham a sua agenda com a agenda de seu mecenas, relegando as necessidades da comunidade estudantil a segundo plano.

E os principais partidos que estão infiltrados nas organizações do movimento estudantil são, sem sombra de dúvida, os partidos de esquerda - PT, PC do B, PSTU, PSOL e PCO. No período de campanha para DCEs, por exemplo, representantes desses partidos fazem reuniões com suas chapas para prepará-las para o pleito e para repassar os recursos financeiros que serão utilizados na confecção de materiais de divulgação - cartazes, faixas, adesivos, broches e, em alguns casos, até camisetas e bonés. O afã para se vencer uma eleição de DCE é tão grande que muitas vezes há brigas violentas - que, não raro, chegam ao cúmulo de extrapolar o campo das palavras e das ideias - entre os próprios partidos de esquerda para que sua chapa saia vencedora.

Quando se está tão profundamente ligado a um partido político, o próprio sentido da organização se desvirtua. As competências se confundem, e não se sabe mais onde termina o programa partidário e onde começa a luta pelos estudantes dentro do contexto universitário. As organizações do movimento estudantil deveriam estar livres da influência de quaisquer partidos políticos, independente de seu alinhamento ideológico, para que seus esforços pudessem estar melhor focados nas necessidades do corpo discente das universidades. Isso é pré-requisito essencial, a nosso ver, para uma atuação isenta junto à comunidade estudantil.

Como dissemos mais acima, o movimento estudantil não se resume a suas organizações representativas. O movimento estudantil é feito por todo e qualquer estudante que, consciente dos problemas que estejam afetando negativamente a vida acadêmica e a universidade como um todo, decide se mobilizar para mudar essa situação. É muito cômodo relegar a responsabilidade pela luta dos interesses dos estudantes a um DCE e ficar de braços cruzados enquanto a universidade se esfacela.

Se nós, a comunidade estudantil, não amadurecermos e reconhecermos que todos, sem exceção, somos responsáveis pela universidade que temos, teremos um futuro bem pior do que o nosso presente.

Próximo post: consumo e tráfico de drogas na UnB - mito ou verdade?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Desrespeito, esquizofrenia e a luta contra a homofobia na UnB

Como relatado no post anterior, ocorreu no início da segunda quinzena de maio, uma semana após a volta às aulas, o seminário UnB Fora do Armário!. O objetivo do seminário foi discutir "a urgência e importância de trazer para dentro da Universidade a pauta LGBT em defesa da diversidade sexual, colocando o ensino superior como um local estratégico para a operarmos transformações reais que queremos ter na sociedade." (trecho extraído daqui.) O seminário ocorreu nos dias 17 e 18 de maio. No dia 19 de maio, ocorreu a I Marcha Nacional contra a Homofobia.
Na mesma semana (salvo engano), uma pequena marcha contra a homofobia na Universidade de Brasília tomou os corredores do prédio do ICC. Nesse protesto, murais e vidraças foram pintados com frases de efeito, paredes foram pichadas (uma delas, próxima ao DCE, ostenta agora a pichação "UnB é LGBTTT"), e cartazes de festas promovidas por CAs (Eletroxurras, da Engenharia Elétrica, e ChuRedes, da Engenharia de Redes) foram depredados - tinta preta foi usada para pintar os cartazes e adesivos com as frases de efeito ("Não financie a homofobia!" e "Não financie o machismo!") foram colados sobre os cartazes.

Qualquer tipo de preconceito é pernicioso, e lutar contra toda forma de preconceito é primordial para a construção de uma sociedade mais justa e digna. Entretanto, a luta contra o preconceito não se pode dar, em hipótese alguma, à base do desrespeito ao direito alheio. Qualquer movimento que opta por essa estratégia perde sua credibilidade não somente frente à sociedade no geral, mas também junto àqueles cujos interesses defende. A depredação de patrimônio público é, além de imoral, criminosa. Igualmente grave é a depredação de patrimônio particular, como foi o caso dos cartazes dos eventos.

Os CAs da Engenharia Eletrônica e da Engenahria de Redes desenbolsaram recursos financeiros para a confecção de seu material de divulgação, e, pela qualidade dos cartazes, seu valor não deve ter sido barato. Com que direito um grupo dito libertário cerceia o direito de divulgação de evento dos CAs - especialmente quando não havia absolutamente nenhum indício de sexismo ou homofobia nos cartazes em questão?

Vivemos atualmente na UnB uma espécie de surto esquizofrênico anti-homofóbico. Vê-se homofobia em toda e qualquer manifestação pública ou particular - como foi o caso do café dos calouros promovido pelo CACOM (Centro Acadêmico de Comunicação) no dia 11 de junho. Como muito bem colocado por um aluno veterano do curso de Comunicação, "viado é diferente de homossexual" e "palavras repetidas exaustivamente para diversos fins se desvituam e ficam sem significado."

Se uma pessoa, em momento de descontração com seus amigos, chamar algum deles de viado, é manifestação de homofobia? Não. Há um contexto bastante particular nesse caso. Entretanto, se alguém for agredido física ou verbalmente em virtude de sua opção sexual, isso sim caracteriza homofobia. Colocar as duas coisas sob a mesma pecha de homofobia é não só uma simplificação ridícula, mas também denota uma mesquinha atitude generalizante.

Próximo post: movimento estudantil e partidarismo de esquerda.

domingo, 20 de junho de 2010

Centros acadêmicos, farras e DCE

Não somos arbitrariamente contra a ideia de os centros acadêmicos da UnB promovorem seus happy hours. Compreendemos que essas confraternizações são bastante importantes não só para estreitar os laços entre os estudantes de um mesmo curso, mas também para arrecadar fundos para os CAs. Entretanto, somos contra a maneira como isso tem acontecido atualmente, com festas regadas a muito álcool, música altíssima e, em alguns casos, consumo de drogas ilícitas. Acreditamos que há maneiras mais saudáveis e eficientes de se fazer os happy hours - maneira que levem em consideração o direito dos outros em ter aulas e circular livremente pelo ICC sem incômodos desnecessários.

No nosso post anterior, lançamos uma pergunta: por que o DCE não convoca uma reunião com os CAs para discutir a questão das festas, já que têm provocado esses problemas? Afinal, é função do Diretório Central dos Estudantes zelar pelos interesses da comunidade discente da UnB, e é interesse primordial dos alunos terem paz e sossego para terem suas aulas sem precisar lutar contra som alto para ouvir o professor em sala. Ainda não sabemos a resposta para essa pergunta, mas gostaríamos de chamar atenção para um fato interessante.

A universidade abrigou o evento UnB Fora do Armário!, cujo objetivo era discutir as políticas e a realidade LGBTTT na universidade, nos dias 17 e 18 de maio. Ao fim do evento, foi realizada uma grande festa na entrada da ala norte do ICC, local onde fica o DCE. O lugar foi devidamente decorado para o happy hour (chamava a atenção de quem ali passava uma grande bandeira do Brasil à qual foram afixadas as cores do arco-íris, símbolo do movimento LGBTTT) e contou com DJs tocando música mecânica.

O som era estrondoso. Pelo menos uma centena de pessoas aglomerou-se ali para beber, conversar e curtir a festa, o que atrapalhou muito a movimentação de pessoas em trânsito para outros pontos do campus. Pessoas com dificuldade de locomoção, não conseguindo passar pelas pessoas ali reunidas, tiveram que dar a volta para conseguir passar. A música podia ser ouvida com clareza da entrada da ala sul e do acesso no fim da ala norte do ICC, atrapalhando as aulas que aconteciam num raio de 200 metros.

Esse fato abre margem para questionamentos à postura do DCE. Por que não realizar a festa no teatro de arena, espaço que é suficientemente longe do ICC para abrir uma festa desse porte e, assim, não atrapalhar a rotina acadêmica da universidade? Será que não havia outra maneira de se realizar a festa, outra opção de confraternização para marcar o fim do evento? Essas dúvidas pairam ainda sem resposta.

Próximo post: desrespeito, esquizofrenia e a luta contra a homofobia na UnB.

sábado, 19 de junho de 2010

A "alegria da juventude"

Na quinta-feira, dia 16 de junho, mais duas festas aconteceram no ICC. As duas foram promovidas pelos CAs de Agronomia (CAAGRO) e de Serviço Social (CASESO).

A festa do CAAGRO aconteceu no curral localizado atrás do centro acadêmico. Havia muita movimentação de gente, a música estava bastante alta - música sertaneja e samba, basicamente -, e, como sempre, o álcool estava rolando solto. Apesar da relativa distância física com o prédio do ICC, o som alto estava atrapalhando as aulas nas salas próximas à entrada sul do edifício.

A festa do CASESO aconteceu dentro do espaço físico do centro acadêmico, que foi decorado especialmente para a farra. Faixas coloridas onde se lia, em letras garrafais, XIBOQUINHA GRÁTIS e um pequeno cartaz com o preço da cerveja estavam afixados no corredor, do lado de fora. Além da música alta e do álcool abundante, havia concentração de pessoas no corredor atrapalhando a circulação (fora algumas demonstrações mais entusiasmadas de furor sexual por parte de alguns casais).

O fato de o CAAGRO promover sua festa não é motivo para espanto (ainda não seja menos lamentável), já que, no dia 20 de maio, promoveram o show de uma dupla sertaneja dentro do ICC, atrapalhando aulas e a circulação de estudantes, professores e demais membros da comunidade acadêmica. Entretanto, o que é realmente impressionante é o fato de o CASESO - que é um reduto tradicional de movimentos ditos libertários e de esquerda (vide o coletivo Confessionário, de orientação feminista, e o Movimento Estudantil Popular Revolucionário - MEPR, que representa o que há de pior no engessado e retrógrado status quo ideológico nas IES públicas) - promover uma festa em que se podia escutar, em alto e bom som, músicas do grupo Gaiola das Popozudas e afins. Para um centro acadêmico que serve de incubadora para movimentos que alardeiam a dominação capitalista, a alienação das massas e a vulgarização da mulher, não é de muito bom tom tocar músicas deste tipo:

No local do trepa-trepa eu esculaxo tua mina,
No completo ou no mirante outro no muro da esquina,
Na primeira tu já cansa eu não vou falar de novo
Ai que piroca boa, bota tudo até o ovo
Eu queria andar na linha, tu não me deu valor
Agora eu sento, soco, soco, topo até filme pornô
Gaiola das Popozudas agora vai falar pra tu
Se elas brincam com a xereca eu te do um chá de cu!
Se elas brincam com a xereca eu te do um chá de cu!

Não somos contra festas promovidas pelos CAs. Pelo contrário: as festas são importantes eventos sociais que servem para estreitar os laços entre os estudantes e, com isso, fortalecer o corpo discente do curso. Mas somos contra festas que sejam realizadas em locais e em horários de aula, pois atrapalham as atividades acadêmicas. Há outras formas de confraternização que podem (e devem) ser feitas dentro do campus, formas mais efetivas dentro do escopo universitário e que não atrapalham a vida de ninguém.

P.S.: Ontem de tarde, o DCE realizou reunião com os CAs sobre a questão do espaço físico para os centros acadêmicos. Fato curioso é que o DCE nunca fez qualquer reunião sobre a falta de senso dos CAs em promover essas festas. Esse assunto será tema do nosso próximo texto.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Por que Juventude Conservadora?

Um blog parceiro da Juventude Conservadora da UnB, o Ciência Brasil (do Prof. Marcelo Hermes-Lima), divulgou o nosso manifesto. Dentre a enxurrada de comentários sem conteúdo nem inteligência, um deles chamou a atenção justamente por ser sensato. Reproduzimos abaixo somente o que interessa do comentário:

"Este movimento que se insurge contra o atual status quo na UnB escolheu uma denominação errada, já que a palavra 'conservador' esta associada à manutenção de hábitos e procedimentos, e representa no imaginário popular algo contra mudanças e melhorias, o que acirra preconceitos."

Na verdade, a escolha para o nome do grupo não foi equivocada. Como realmente procede, o termo Conservadorismo pode ser definido, segundo o Prof. Dr. Renato Cancian, "como a defesa da manutenção da ordem social ou ordem política existente, em contraposição às forças que buscam a inovação." Entretanto, Cancian faz uma observação bastante pertinente quanto à natureza do Conservadorismo:

"Isso não significa, contudo, que os conservadores se opõem a toda ou qualquer mudança social. Para os conservadores, mudanças sociais são aceitas desde que ocorram gradualmente e sejam reflexos ou consequências da dinâmica social, e não por meios revolucionários."

A desconfiguração da Universidade de Brasília enquanto pólo de desenvolvimento acadêmico - que se dá através das áreas de ensino, pesquisa e extensão -, e sua transformação em uma terra sem lei onde reina a balbúrdia e a baderna, é uma metamorfose que vai contra não somente os interesses da comunidade acadêmica, mas também contra a própria missão da universidade.

Somos conservadores no sentido de combater essa transformação perniciosa, de lutar para que a Universidade de Brasília torne-se referência em produção de conhecimento, e não em produção de cenas vexatórias e comportamentos execráveis. E boa parte disso que se desenrola não é oriunda das instâncias administrativas, ou da dinâmica burocrática da universidade, mas de sua própria comunidade acadêmica.

P.S.: Tem gente comentando que esse blog é criação do Prof. Marcelo, que não existem alunos conservadores na UnB, que tudo isso aqui é uma grande "piada babaca". Isso só mostra o nível de gente que anda transformando nossa UnB num centro de imbecilidade sem limites nem senso do ridículo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Alunos da UnB tiram a roupa em mais um "protesto"

Como todos devem saber, ontem foi a estreia da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo. O jogo foi contra a seleção da Coreia do Norte. Boa parte da população do Distrito Federal esteve atenta ao jogo, que terminou em 2 a 1 para a seleção brasileira.

Entretanto, um grupo de estudantes de Artes Cênicas da UnB, segundo noticiado pelo jornal O Globo (e reproduzido pela Secom/UnB), teve uma ideia diferente para passar o tempo durante a partida da seleção brasileira. Munidos apenas de máscaras de personalidades políticas - nem o saudita Osama Bin Laden escapou -, jogaram uma peladinha diante do Congresso Nacional completamente pelados. Isso aí, nus como Deus (ou quase) os pôs no mundo. A justificativa para o "protesto"? Mostrar como o futebol aliena e ludibria as pessoas.

Há maneiras e maneiras de se protestar. O movimento Rio de Paz, por exemplo, colocou 700 cruzes na Praia de Copacabana para simbolizar os mortos pela violência na cidade do Rio de Janeiro. Foi um gesto simbólico de grande peso para evidenciar o caos em que vivem mergulhadas as grandes metrópoles do País. Esse protesto promovido pelos alunos de Artes Cênicas da UnB, entretanto, simboliza apenas uma coisa: a vulgaridade banal usada com o simples intuito de se chamar atenção - não para um problema, mas apenas para o gesto em si.

Esse tipo de comportamento é extremamente nocivo para o curso de Artes Cênicas e para a própria Universidade de Brasília. Hoje, nos corredores da UnB, não foram poucos os comentários negativos com relação a esse pretenso protesto. Qual o objetivo, no fim das contas? Por que tirar a roupa? Por que não se pensar em uma forma mais efetiva e menos despropositada de protesto para algo que se considera um problema?

São comportamentos como esse - que, além de completamente desnecessários em sua manifestação, não conseguem nem de longe atingir seus objetivos - que abastacem de argumentos os que defendem que os estudantes da UnB não têm noção das coisas, que são vagabundos que consomem o dinheiro dos impostos pagos pela população e que permitem que a universidade exista. Como estudantes dessa universidade, nos sentimos profundamente achincalhados por um ato que é, a um só tempo, irresponsável e ridículo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Manifesto da Juventude Conservadora da UnB

A UnB está em crise. Qualquer pessoa com um nível mínimo de capacidade analítica chega a essa conclusão. Essa crise vai muito além do âmbito administrativo ou educacional: é, antes de tudo, uma profunda crise de valores. Algumas evidências disso são:

- Festas barulhentas durante o horário de aula nos centros acadêmicos instalados no ICC (particularmente no afamado “corredor da morte”), onde a música altíssima atrapalha tanto professores quanto alunos;

- Consumo irrefreado de álcool a qualquer hora do dia em diversas áreas do campus, algo que vai de encontro a normas internas da universidade;

- Uso descarado de substâncias ilícitas, notadamente maconha, por membros da comunidade acadêmica;

- Depredação da infraestrutura da universidade, especialmente paredes e murais, sob o pretexto de “ocupação dos espaços” para manifestação de ideias;

- Comportamento grosseiro e autoritário de grupos ideológicos ditos “libertários”, que vivem em campanha perene para impor seu ideário à comunidade acadêmica como um todo sem a observância do direito alheio;

- Agressões verbais e físicas entre membros da comunidade acadêmica que são incapazes de defender suas ideias com argumentos.

A universidade deve ser uma zona democrática por excelência, onde pensamentos e ideias conflitantes possam coexistir sem embates desmedidos e desnecessários motivados por sentimentos frívolos de hegemonia bairrista. A universidade não é pobre ou rica, branca ou preta, heterossexual ou homossexual, esquerdista ou direitista, machista ou feminista: ela é plural, diversificada, universal. A universidade deve transcender rótulos de cor, sexo, religião e ideologias políticas.

Entretanto, em virtude do recrudescimento das ações e do comportamento dos ditos “libertários” – que se valem de suas bandeiras “emancipadoras” e autoafirmativas para justificar comportamentos reacionários e intolerantes –, faz-se extremamente necessário um contraponto, uma outra visão de tudo o que anda acontecendo. A Juventude Conservadora da UnB surge com essa proposta invocando o sagrado preceito democrático da liberdade de pensamento e expressão (uma das garantias individuais asseguradas pela Constituição Federativa de 1988, em seu artigo 5º, e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo XIX), e no senso de responsabilidade e justeza imprescindível ao exercício da Cidadania.

A Juventude Conservadora da UnB não possui vínculo com quaisquer partidos, movimentos representativos ou organizações da sociedade civil. Somos um grupo de estudantes que pensa de maneira semelhante e que, frente à crise instalada na UnB, recusa-se a ficar em silêncio. Somos estudantes cientes do momento delicado pelo qual passa a Universidade de Brasília e que querem contribuir para a construção de uma universidade sadia, digna e que faça jus à sua missão de formação acadêmica e humana.