domingo, 18 de março de 2012

O antifilisteu

Rodrigo Gurgel


Baluarte do movimento abolicionista, representante da quarta geração de sua família no parlamento brasileiro, “monárquico de razão e sentimento”, como ele próprio se define, a Joaquim Nabuco aplica-se, com perfeição, o ideário de Russel Kirk, cujos Dez princípios conservadores encontram-se dispersos nas páginas de Minha formação, um dos melhores exemplos da memorialística nacional, gênero narrativo infelizmente pouco desenvolvido em nosso país, mas que deu sinais de revivescer, há algumas décadas, graças à obra de Pedro Nava.

A maneira como Nabuco analisa, por exemplo, o sistema republicano, considerando-o inferior à monarquia constitucional, pelo fato de se basear na “ausência de unidade, de permanência, de continuidade no governo” e por construir um Estado “em que todos pudessem competir desde o colégio para a primeira dignidade”, sua qualificação da república como “utopia sem atrativo, o paraíso dos ambiciosos, espécie de hospício em que só se conhecesse a loucura das grandezas”, apresentam, no substrato, o desejo do que Kirk chamaria de “ordem moral duradoura”, uma sociedade na qual haja “um forte sentido de certo e errado”, onde os cidadãos não vivam “moralmente à deriva, ignorantes das normas, e voltados primariamente para a gratificação de seus apetites”.

Tal certeza se amplia quando Nabuco recorda a política que encontrou nos Estados Unidos, durante viagem realizada entre 1876 e 1877. Ele não se satisfaz em definir o país como “uma torre de Babel bem-sucedida” e grava sua impressão geral: “a de uma luta sem o desinteresse, a elevação de patriotismo, a delicadeza de maneiras e a honestidade de processos que tornam na Inglaterra (…) a carreira política aceitável e mesmo simpática aos espíritos mais distintos”. Nabuco também critica o jornalismo, cuja “obrigação” é “rasgar a reputação” do candidato, “reduzi-lo a um andrajo, rolar com ele na lama. Para isso não há artifício que não pareça legítimo à imprensa partidária; não há espionagem, corrupção, furto de documentos, intercepção de correspondência ou de confidência, que não fosse justificada pelo sucesso”. E completa:
O efeito de tal sistema pode ser moralizar a vida privada, pelo menos a dos que pretendem entrar para a política, se há moralidade no terror causado por um desses formidáveis exposures eleitorais, os franceses diriam chantage. A vida política, porém, ele não tem moralizado.
Comparando as instituições norte-americanas às inglesas — estas, sim, dignas de incessantes elogios —, Nabuco mostra-se ainda mais severo:
A atmosfera moral em roda da política era seguramente muito mais viciada; a classe de homens a quem a política atraía, inferior, isto é, não era a melhor classe da sociedade, como na Inglaterra; pelo contrário, o que a sociedade tem de mais escrupuloso afasta-se naturalmente da política. A luta não se trava no terreno das idéias, mas no das reputações pessoais; discutem-se os indivíduos; combatem-se, pode-se dizer, com raios Roentgen; escancaram-se as portas dos candidatos; expõe-se-lhes a casa toda como em um dia de leilão. Com semelhante regímen, sujeitos às execuções sumárias da calúnia e aos linchamentos no alto das colunas dos jornais, é natural que evitem a política todos os que se sentem impróprios para o pugilato na praça pública, ou para figurar em um big show.
Suas críticas aumentam ao analisar o republicanismo francês, marcado por um “fermento de ódio, uma predisposição igualitária que logicamente leva à demagogia”. Realidade, aliás, possível de ser constatada em diferentes momentos da história republicana brasileira e que, na última década, além de nos oferecer amostras da típica agressividade esquerdista, tem se configurado, como bem define Nabuco, num “fenômeno de retração intelectual” que conduz à “hipertrofia ingênua da personalidade”. Em outro trecho, no Capítulo XII, ao retomar a discussão, ele conclui:
O fato é que no republicanismo, falo do sincero, do verdadeiro, há um ideal, como no socialismo, no comunismo, no anarquismo há ideal, mas há também inveja, e desta é que parte, quase sempre, o impulso revolucionário.
Admirador do ensaísta Walter Bagehot — autor de The English Constitution e memorável editor da The Economist —, Nabuco não é só um crítico da República e das revoluções, mas também da política que chama de “baixa”, isto é, a política profissional, da luta partidária cotidiana, “espécie de oclusão de pálpebras”. Considerando-se “antes um espectador do meu século do que do meu país”, aponta, com acerto, que “para ser um homem de governo é indispensável fixar, limitar, encerrar a imaginação nas coisas do país e ser capaz de partilhar, se não das paixões, decerto dos preconceitos dos partidos (…)”.

Nabuco não fazia esses comentários no papel de um observador distante. Ao contrário, participou, no início da vida pública, dos embates partidários e sofreu as vilanias típicas da política menor, estreita, que produz raríssimos estadistas. Gradativamente, contudo, libertou-se dos interesses comezinhos, apegando-se à causa da abolição da escravatura e, depois de proclamada a República, impondo-se o ostracismo que só não o afastou da vida intelectual. São os anos, aliás, de maior produtividade, quando publica, em 1896, a biografia de seu pai, Um estadista do Império, outro de seus clássicos. Alguns historiadores defendem a idéia de que, a partir de 1900, ao reingressar no serviço diplomático, Nabuco teria se tornado republicano, mas prefiro crer que entendia seu trabalho como um gesto de patriotismo.

Na verdade, Joaquim Nabuco foi movido por um sentimento aristocrático que se mostrou muito superior ao mero apoio político à monarquia brasileira. Guiava-se segundo aquele ideal de nobreza que Ortega y Gasset definiu como uma “vida dedicada, sempre disposta a superar a si mesma, a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência”. Sabemos que, para o filósofo espanhol, “a vida nobre se contrapõe à vida vulgar e inerte, que, estaticamente, se restringe a si mesma, condenada à imanência perpétua, a não ser que algum fator externo a obrigue a reagir”. Esse princípio — definido por Nabuco como ser “sensível à impressão aristocrática da vida” — o impediu de se tornar republicano.

Tal elã conservador é, nos dias atuais, incompreensível, inalcançável à maioria das pessoas. Primeiro, por um motivo que, sob determinados aspectos, chega a ser dramático: a república presidencialista arraigou-se à história, aos hábitos e ao imaginário nacional, respondendo à doentia necessidade de sermos comandados por um pater familias e ao desejo submisso de que ele detenha mais que a patria potestas e possa resolver, num passe de mágica, todos os nossos problemas. Segundo, porque a maioria de nós ainda acredita que o sufrágio universal é um sistema democrático, quando, na verdade, como ensina Ortega y Gasset, “no sufrágio universal não são as massas que decidem, seu papel consiste em aderir à decisão de uma ou outra minoria”. Esses dois aspectos da nossa organização social, somados ao desprezo e à chacota das panelinhas marxistas, contribuem para revestir um escritor conservador daquele manto de excentricidade que afasta o leitor médio. Salientemos, no entanto, outra tendência atual: a de reler Nabuco com um olhar esquerdista, o que, além de estrambótico, só cria deturpações.

Mas há uma quarta razão: com o advento do homem-massa, passamos a sofrer do mal que Ortega y Gasset chama de “estranha pretensão”: a de “ser mais que qualquer outro tempo passado; mais ainda: por se desligar de todo o passado, não reconhecer épocas clássicas e normativas, e ver-se a si mesmo como uma vida nova superior a todas as antigas e irredutível a elas”. Assim, para apontar apenas uma das graves conseqüências desse quadro patológico, nossos estudantes saem do ensino médio completamente ignorantes da história brasileira, incapazes de escrever uma lauda, por exemplo, sobre o 2º Império ou qualquer período republicano. Mostrem-me um jovem vestibulando capaz de escrever cinco parágrafos razoáveis sobre o governo Floriano Peixoto ou a Revolução de 1930 e eu lhes mostrarei um bezerro que voa.

Em tal conjuntura, não causa surpresa que ler Joaquim Nabuco tenha se transformado, infelizmente, numa irregularidade, ocorrência extemporânea, de alguma forma prevista pelo próprio escritor durante seus anos de afastamento da vida pública, quando, movido por certa melancolia, afirmava:
O público, os grandes auditórios eram para mim o que é hoje a minha cesta de papel, ou a labareda que dá conta da exuberância supérflua do pensamento. Só muito tarde compreendi por que os que vieram antes de mim se retraíam, quando eu me expandia: em muitos era a saciedade, o enojo que começava; em alguns a troca da aspiração por outra ordem de interesses mais utilitária (…).
Antes desse período, entretanto, Nabuco será uma das principais vozes do movimento de libertação dos escravos, drama para o qual despertara na infância, de maneira inesperada: sentado na entrada da casa-grande do engenho em que vivia, surpreende-se com um jovem negro que se lança aos seus pés, “suplicando-me pelo amor de Deus que o fizesse comprar por minha madrinha para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida…”. A partir daí, sua visão evoluirá, a ponto de, na vida adulta, fazê-lo encarar a diplomacia e a política como questões menores. Para ele, o centro de sua existência se resumiu aos dez anos de dedicação exclusiva à campanha abolicionista: “A feição política tornar-se-á secundária, subalterna, será substituída pela identificação humana com os escravos e esta é que ficará sendo a característica pessoal, tudo se fundirá nela e por ela”.

Estilo e ironia
O Nabuco que escreve suas memórias é, antes de tudo, um estilista. Quem se aproximar de seus livros buscando algo que não se assemelhe à sobriedade da frase ou ao uso lapidar da língua se decepcionará. As pistas sobre a formação de seu estilo são múltiplas, mas ele salienta a cópia, na juventude, de páginas das leituras preferidas, as que mais lhe “feriam a imaginação”. Sobre esse exercício, defende uma tese curiosa:
(…) ninguém escreve nunca senão com o seu período, a sua medida, Renan diria a sua eurritmia, dos vinte e um anos. O que se faz mais tarde na madureza é tomar somente o melhor do que se produz, desprezar o restante, cortar as porções fracas, as repetições, tudo o que desafina ou que sobra: a cadência do período, a forma da frase ficará, porém, sempre a mesma.
O fato de manter, desde sempre, o francês como primeira língua também não é desprezível. A intimidade com o idioma estrangeiro leva-o a considerar sua frase como uma “tradução livre”, sendo que “nada seria mais fácil do que vertê-la outra vez para o francês do qual ela procede”, o que o obriga a “constante vigilância”:
Falta-me para reproduzir a sonoridade da grande prosa portuguesa o mesmo eco interior que repete e prolonga dentro de mim, em gradações curiosamente mais íntimas e profundas, à medida que se vão amortecendo, o sussurro indefinível, por exemplo, de uma página de Renan.
Finalmente, não podemos esquecer de suas leituras, nas quais se misturam romancistas, poetas e historiadores: William Thackeray, Thomas Macaulay, John Keats, Ernest Renan, Cícero, Theodor Mommsen, Hippolyte Taine, Jacob Burckhardt e outros.

Desse universo tão particular nascem ótimos trechos, como a definição de certa paisagem do Rio de Janeiro — “um paraíso terrestre antes das primeiras lágrimas do homem, uma espécie de jardim infantil”; sua versão, talvez inconsciente, do famoso verso de Wordsworth (título do Capítulo XI de Memórias póstumas de Brás Cubas) — “O traço todo da vida é para muitos um desenho de criança esquecido pelo homem, mas ao qual ele terá sempre que se cingir sem o saber…”; e a descrição espirituosa de Saraiva, um velho conhecido: “(…) o dicionário português de Londres, verão e inverno em um casacão que lhe descia até os pés, a longa barba inculta, a pele entalhada como um retábulo espanhol, com um montão de livros debaixo do braço e em cada bolso (…)”.

Nabuco é capaz de sínteses inspiradoras: “Cada um de nós é só o raio estético que há no interior do seu pensamento, e, enquanto não se conhece a natureza desse raio, não se tem idéia do que o homem realmente é”. Mas também pode compor longos períodos, exemplos de austeridade — nos quais a pontuação concede às frases um ritmo sereno — e de um escritor que investiga, sem receio, os nichos do seu espírito:
Foi em Londres, graças a uma concentração forçada, a qual não teria sido possível para mim senão em sua bruma, que a minha inteligência primeiro se fixou sobre o enigma do destino humano e das soluções até hoje achadas para ele, e, insensivelmente, na escondida igreja dos Jesuítas, em Farm Street, onde os vibrantes açoites do padre Gallway me fizeram sentir que a minha anestesia religiosa não era completa, depois no Oratório de Brompton, respirando aquela pura e diáfana atmosfera espiritual impregnada do hálito de Faber e de Newman, pude reunir no meu coração os fragmentos quebrados da cruz e com ela recompor os sentimentos esquecidos da infância.
As mesmas qualidades podem ser reencontradas na lembrança da descoberta do mar:
Muitas vezes tenho atravessado o oceano, mas se quero lembrar-me dele, tenho sempre diante dos olhos, parada instantaneamente, a primeira vaga que se levantou diante de mim, verde e transparente como um biombo de esmeralda, um dia em que, atravessando por um extenso coqueiral atrás das palhoças dos jangadeiros, me achei à beira da praia e tive a revelação súbita, fulminante, da terra líquida e movente… Foi essa onda, fixada na placa mais sensível do meu kodak infantil, que ficou sendo para mim o eterno clichê do mar. Somente por baixo dela poderia eu escrever: Thalassa! Thalassa!
E também no final do Capítulo XXV, inteiramente dedicado à figura singular do barão de Tautphœus, trecho no qual Nabuco evoca uma das inúmeras lições ensinadas pelo grande amigo, comparando-a à realidade brasileira:
Oh! que admiráveis monólogos os dele! A última vez que atravessou o nosso mare clausum voltou para casa para morrer. O vestígio do seu pensamento ficou por muito tempo comigo, e ainda por vezes lhe sinto a ondulação fugidia. Foi por minhas palestras com ele que compreendi por fim que um grande espírito podia ficar à vontade, livre, em uma religião revelada, do mesmo modo que foi graças a ele que compreendi que os escritores não formam por si sós a elite dos pensadores, que há ao lado deles, talvez acima, uma espécie de Trapa intelectual votada ao silêncio, e onde se refugiam os que experimentam o desdém da publicidade, de sua ostentação vulgar, de seu mercenarismo mal disfarçado, de seu modo frívolo, de sua apropriação do bem alheio, de sua falta de sinceridade interior. O horror da cena, hoje do mercado, não pode ser um sinal de inferioridade intelectual.
Essa percepção irônica da intelectualidade nacional — atualíssima, aliás — nasceu não só do convívio com as inteligências da época — Nabuco foi grande amigo de Machado de Assis e do grupo responsável pela fundação da Academia Brasileira de Letras —, mas da lenta, e nem sempre prazerosa, construção da autocrítica, faculdade sem a qual é impossível surgir um bom escritor. Nesse sentido, o longo episódio narrado no Capítulo VII merece a leitura de todo candidato a ficcionista ou poeta. Ali, Nabuco nos conta como corria atrás de elogios para os seus primeiros versos — e de que maneira chegou a recebê-los, mas somente para pagar o preço da decepção, ao descobrir que tinham nascido da hipocrisia, do mascaramento das relações sociais. Sua conclusão permanece válida: “O escritor juvenil que não se resignar ao sacrifício da sua honra (grifo do autor) literária não fará progressos em literatura”. Apenas uma pessoa lhe foi sincera: Edmond Schérer — à época, famoso crítico literário da Revue des Deux Mondes —, que reagiu aos seus versos com um “silêncio frio, impenetrável, entretanto polido, atencioso, simpático”.

Aristocracia
No ensaio Um capítulo da higiene mental dos artistas, Hermann Hesse fala sobre a importância do ócio na vida do escritor. O tom às vezes exageradamente hedonístico dessas páginas não me agrada, mas o romancista alemão está certo quando diz que “o trabalho intelectual se deixa envolver e dominar” cada vez mais “pela atividade industrial rude e violenta, sem tradição e bom gosto” e que “retalhamos o tempo em pequenos e ínfimos pedaços, dos quais cada um tem ainda o valor de uma moeda”. O texto, escrito em 1940, permanece atual, com um agravante: a arte, contaminando-se, de maneira crescente, do corriqueiro, do vulgar, passou a obedecer a certo filistinismo hostil, zombeteiro até, em relação à estética que, repelindo a demagogice, anseia preservar um mínimo de virtuoso requinte. Nabuco tinha perfeita consciência disso e denunciava que “o público, o protetor moderno das letras, cuja generosidade tem sido tão decantada, não passa de um Mecenas de meia-cultura”. Não por outro motivo ele alertou, 40 anos antes de Hesse, que
a primeira condição para o espírito receber a impressão de uma grande criação qualquer, seja ela de Deus, seja das épocas — nada é puramente individual —, é o repouso, a ocasião, a passividade, o apagamento do pensamento próprio (…).
Sigamos ou não o seu conselho, nessas palavras — e em toda a obra de Nabuco — encontra-se o signo da verdadeira aristocracia, que não deve oferecer ao leitor apressado a imagem de uma classe supostamente ociosa ou de pessoas que gastam suas vidas em superficialismos. Não. Aqui falamos de altivez, honra e coragem para defender as próprias idéias, mesmo que isso signifique, recordando Ortega y Gasset, possuir elegância digna inclusive para oferecer o pescoço ao golpe da guilhotina. Nabuco, que tinha clara noção de ter sido “uma das mais consistentes figuras da nossa política”, era constituído por tais valores — e, tenhamos esperança, não foi o último de sua espécie.

sábado, 17 de março de 2012

Do extermínio de crianças ao aborto

Alessandro Barreta Garcia
De seu site pessoal

Na época clássica (séculos V e IV a.C.), o fio condutor da educação espartana se converteu somente a uma estrutura militar e seu objetivo era a formação do hoplita (soldado). Esparta se priva de uma educação completa, fecha-se em um totalitarismo desprovido de uma formação integrada, e assim, não podendo se beneficiar dos tempos de paz. Preocupava-se com as crianças mesmo antes de nascerem, pois, a eugenia espartana selecionava os melhores, os sem defeitos, sem disformias e os não raquíticos, nesse sentido, os “perfeitos” eram privilegiados (GARCIA, 2011).

Esparta conforme Plutarco (s/d) esclarece-nos por meio da legislação de Licurgo que as crianças eram educadas da seguinte forma:

Pois, logo que estes chegavam à idade de sete anos, ele os tomava e os distribuía por grupos, para serem educados juntos e se habituarem a brincar, aprender e estudar uns com os outros; depois, escolhia em cada grupo aquele com aparência de ser o mais avisado e mais corajoso no combate, ao qual dava a superintendência de todo o grupo. (PLUTARCO, s/d, p. 226).

Submetidas desde cedo aos treinamentos físicos, um em cada grupo era escolhido como líder, e sua tarefa era supervisionar os demais. Além do escolhido como líder do grupo, os mais velhos supervisionavam todos, inclusive os lideres. Muitos debates eram impostos para testar as decisões dos jovens espartanos, e quem não se apresentasse dispostos a julgar com convicção eram castigados pelos lideres (PLUTARCO, s/d).

As crianças que não servissem ao fim militar eram jogadas do precipício, e aquelas aptas a suportarem ao serviço militar sofreriam castigos como terem seus dedos mordidos pelos supervisores. Não é de hoje que os homens tentam eliminar seus semelhantes, em Esparta as crianças que não servissem ao serviço militar eram eliminadas, exterminadas da cidade-estado. Com o tempo as constituições foram se alterando e a defesa das crianças passa a ser uma preocupação constante ou deveria ser.

No entanto, em nosso tempo as leis não interessam mais ao coletivo, sendo assim, as que existem funcionam para minar as últimas bases da moral conservadora. Legitimar o direito do individuo em detrimento do direito supremo, do bem comum a toda coletividade é hoje uma agenda internacional.

Hoje em dia, um gigantesco plano mundial tenta classificar o aborto como legítimo, como resolução individualista, esquecendo-se da inexorável ideia de Aristóteles, a potência e ato. Uma semente é uma árvore em potência. Um feto é uma criança em potência. Diferente de ter potencial para engravidar, potência e a transição para o ato, ou seja, é já o próprio crescimento e desenvolvimento da vida. Do contrário, impotente é alguém que não goza da possibilidade de gerar mudança específica, no caso engravidar. Para Aristóteles (2006): “Impotência é a privação de potência, ou seja, a supressão do principio que foi descrito” (p. 149). Ao abortar se mata um cidadão em potência e em ato, podendo ser ato se respeitado o devir natural da vida. Abortar é matar as potencialidades do suprassensível, da tradição moral, filosófica, cívica e jurídica. Abortar é matar.

No Brasil observa-se uma justiça de valor relativo, e sendo essa a nova ética, a moral clássica tão valiosa perde seu esplendor, até mesmo seu significado. Nesse mundo, tudo é a busca do prazer, pelo útil individual e isolado dos bens supremos. Dessa forma, recuperar seu significado é uma tarefa árdua, de poucos, se comparado ao ambiente decadente ao redor. Sendo assim, nos resta ensinar, pois o ensino é ainda a forma mais hábil de se conduzir a morada das ideias e da defesa das constituições.

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Metafísica. Bauru, SP: EDIPRO, 2006.
GARCIA, A. B. Aristóteles nos manuais de história da educação. 1ª Edição, São Paulo: Clube de Autores, 2011.
PLUTARCO. Licurgo. In. As vidas dos homens ilustres. Trad. Brasileira de: Aristides da Silveira Lobo, São Paulo: Editora das Américas, 1951.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cuba se Fidel!

Caros leitores,


Quebrando a tradição de rabugice do blog, esse post é apenas para descontrair. Aproveitem! ; )
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Fidel está fazendo um dos seus famosos discursos na Praça da Revolução:
- E a partir de agora temos de fazer mais sacrifícios!
Ouve-se uma voz na multidão:
- Trabalharemos o dobro!
O Comandante continua:
- E temos de entender que haverá menos alimentos!
A mesma voz:
- Trabalharemos o triplo!
Fidel prossegue:
- E as dificuldades vão aumentar!
- Trabalharemos o quádruplo!
Fidel vira-se para o chefe da segurança e pergunta:
- Quem é esse idiota que vai trabalhar tanto?
- O coveiro, meu comandante.
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Fidel vai a um centro espírita e, na sessão, consegue conversar com a mãe e morta. Fidel pergunta-lhe:
- Mãe, no próximo ano eu ainda vou estar no poder?
- Sim, filho - responde a mãe.
E Fidel continua a perguntar:
- E o povo vai estar comigo?
- Não, querido filho. Vai estar comigo...
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Encontram-se um espanhol e um cubano. O cubano pergunta:
- Você é católico?
- Eu acredito, mas não pratico. E você, é comunista?
- Eu pratico, mas não acredito.
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Uma professora mostra aos alunos um retrato do presidente Reagan e pergunta à turma:
- De quem é este retrato?
Silêncio absoluto.
- Eu vou ajudar um pouco - diz a professora. – É por culpa desse senhor que nós estamos passando fome.
Pepito diz, ao fundo da sala:
- Ah, professora! É que sem o uniforme e sem a barba não dava para reconhecer.
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Três tubarões encontram-se no meio do oceano e decidem tomar rumos diferentes para testar a sorte. Combinam depois encontrar-se novamente para saber o que aconteceu a cada um. Um dirige-se para a Espanha, outro para Miami e o terceiro vai para Cuba. Um mês depois, os tubarões voltam a reunir-se.
O que foi para Miami diz:
- Uau! Foi uma maravilha! Comi dois americanos, um cubano e uma canadense. Estavam deliciosos!
O que foi para a Espanha diz:
- Vocês nem imaginam como estão gordos os espanhóis. Comi pelo menos nove, sem contar as crianças...
Chega então a vez do que foi para Cuba. Ele está todo estropiado, magro, com o corpo cheio de arranhões e de mordidelas.
- Vocês nem queiram saber o que me aconteceu. Quando eu apareci com a minha barbatana numa praia de Havana, estava lá um magricela que começou logo a gritar: Pessoal, chegou o nosso peixe! Num instante, tinha umas 200 pessoas a minha volta. Por pouco não me comeram...!
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O povo cubano estava todo reunido para ouvir um discurso do ditador. O seu assessor olhava para Fidel, virava para o povo e dizia:
— Veja, povo de Cuba! Aqui está Fidel! Ele não tem a barba de Cristo?
E o povo:
— Tem, sim!
— Fidel não tem os cabelos de Cristo?
— Tem, sim!
— Fidel não tem os olhos de Cristo?
— Tem, sim!
Um bêbado berra do meio da turba:
— Então, crucifica!
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Fidel Castro morre e chega no céu, mas não estava na lista. Assim, São Pedro o manda ao inferno. Quando chega lá, o diabo em pessoa o recebe e diz:
— Olá, Fidel, seja bem-vindo. Eu estava à sua espera. Aqui você vai se sentir em casa.
— Obrigado, Satanás, mas estive primeiro no céu e esqueci minhas malas lá em cima, na portaria.
— Não se preocupe. Vou enviar dois diabinhos para pegar suas coisas.
Os dois diabinhos chegam às portas do céu, mas as encontram fechadas, porque São Pedro tinha saído para almoçar. Um dos diabinhos diz ao outro:
— Olha, é melhor pularmos o muro. Aí pegamos as malas sem perturbar ninguém.
Os dois diabinhos começam a escalar o muro. Dois anjinhos passavam por ali, e ao verem os diabinhos, um comenta com o outro:
— Não faz nem dez minutos que Fidel está no inferno, e já temos refugiados.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Crianças do Estado


John Hayward
Human Events



Não chega a ser uma surpresa o quanto o Grande Governo trata seu povo como crianças, mas é um tanto deprimente que o público tenha crescido tão habituado a tal tratamento.

Dependência é essencialmente infantilidade. Independência e responsabilidade são componentes fundamentais tanto da liberdade quanto da maturidade. Uma nação de assistência social e “bailouts” [1] é uma nação onde a nenhuma criança é permitido cair e se machucar por sua própria conta. Você não pode ter empreendimento sem risco e você não pode ter risco sem consequências. Calcular os riscos é tarefa de adultos.

O governo nos trata como crianças em questões grandes e pequenas. Para dar um pequeno exemplo, considere a saga da “polícia do almoço” na Carolina do Norte [2]. Ao menos dois pais surgiram com histórias de agentes federais inspecionando as lancheiras de seus filhos pequenos, declarando ser o lanche delas deficiente para nutrição e obrigando os pais a pagar pela merenda escolar aprovada pelo governo em lugar do lanche. Uma das crianças teve em mãos um memorando assinado pelo diretor da escola, discutindo as exigências da USDA [3] por lancheiras com um conteúdo aceitável e claramente declarando que “a estudantes que não trouxerem uma merenda saudável serão oferecidas as partes faltantes, o que pode resultar em uma taxa cobrada pelo refeitório”.

Essencialmente, isso quer dizer tratar os pais como se eles fossem crianças caprichosas. Eles não são aptos a decidirem o que seus filhos podem ou não comer, então a Mamãe Estado assumirá a tarefa.

Aos cidadãos –crianças congregados na “creche católica” não será permitido colocar seus pequenos devaneios religiosos à frente da sabedoria da Mamãe Estado em matéria de contracepção. Quando os católicos fizeram algazarra na sala de aula, a solução do vovô Obama foi declarar que os anticoncepcionais eram um presente das companhias de seguro. Isto supostamente aquietaria o clamor, porque eles não estariam pagando pelos “presentinhos” para o controle de natalidade. É preciso ter a mente de uma criancinha para aceitar este tipo de raciocínio.

Quando lhe foi solicitado a apresentação de um orçamento para o próximo ano fiscal, bem como previsões para o futuro financeiro dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama apresentou um plano com uma pilha de trilhões de dólares em déficits, sem menção a dívida nacional. Só uma nação de crianças estaria disposta a permitir-lhe fugir com raciocínio tão tipicamente adolescente como “o amanhã nunca virá”. A situação de um governo falido no piloto automático rumo a 20 trilhões de dólares em dívida é fundamentalmente infantil. Somente os adultos pensam sobre as consequências, ou sobre como pagar sua própria vida.

As desculpas do presidente são o tipo de nonsense que só soam razoáveis a ouvidos muito jovens. Todos os seus problemas foram causados por seu há muito afastado predecessor. Nada é sua culpa, em qualquer assunto. Na última vez que ele ultrapassou o teto da dívida, ele prometeu que não faria isso novamente... mas agora parece que um novo aumento do teto da dívida será necessário antes da eleição de 2012.

Nós aceitamos maciços, insustentáveis déficits em tempo de paz como a “nova normalidade” porque os acólitos do Grande Governo não querem discutir abertamente o nível de impostos que seria necessário para sustentar sua utopia. A fantasia que algum vago grupo de ricaços poderia pagar por tudo isso, se eles estiverem corretamente interessados em “pagar por sua parte”, é um conto de fadas profundamente infantil. Você pode provar que isso é impossível com matemática básica, mas isto não funciona melhor do que qualquer tentativa de usar matemática básica para explicar a uma criancinha histérica porque você não pode se dá ao luxo de comprar o brinquedo que ele mais quer. Criancinhas reunidas ao redor da árvore de natal não perguntam ao papai e à mamãe se eles foram sábios em estourar o cartão de crédito da família para comprar todos aqueles presentes.

O discurso de “falha da liberdade” de Obama é o tipo de história útil para assustar crianças com obediência. Uma nação segura de si tem pouca paciência com um presidente que decide quais companhias deveriam “ganhar” ou “perder”, que explica aos pequeninos quanta ambição eles deveriam ter permissão de conservar, e nos oferece uma escolha entre adotar um planejamento central hiper-regulado ou ser perseguido por lobos na tundra gelada do mercado livre.

A esquerda prefere um imaturo e medroso eleitorado, mais interessado em proteção estatal que na liberdade de procurar oportunidades. Um mecanismo de controle baseado na inveja só funciona nessas condições. Quem respeita menos os direitos de propriedade dos outros que uma criança desamparada? Quem poderia estar mais ansioso em ouvir falar sobre o que ele é dele “de direito”, ao invés de sobre o que ele tem feito por merecer?

Não é por acaso que a cultura popular está passando a venerar a adolescência perpétua. Estudantes de 30 anos e homens de 40 anos vivendo na casa da mamãe estão se tornado cada vez mais comuns. Só um relativamente pequeno ultraje recebeu o fato da lei de saúde pública de Barack Obama considerar que pessoas de 26 anos são oficialmente “crianças”. Casamento e paternidade estão sendo atacados de várias maneiras. O grande projeto para fazer a maioria adotar hábitos que as antigas gerações teriam considerado vergonhosos está quase completo. Quanto a isso, a própria vergonha tem sido largamente abolida. Nós ouvimos infinitamente que se sentir bem é a maior virtude e que só pessoas reprimidas perderiam tempo sentido vergonhas delas mesmas, qualquer que seja o motivo. Costumávamos ter uma palavra diferente para pessoas assim: adultos.

Uma das características definidoras dos adultos é seu desejo de ser responsável por suas crianças. Somos os guardiões do futuro, que nossos filhos herdarão. Mas os garotos de hoje já nascem com quase 50 mil dólares em dívidas nas costas. Nós estamos contraindo empréstimos que nunca seremos capazes de pagar. Nós escolhemos o caminho de atrelá-los com uma dívida que 100% do dinheiro público serão usados apenas para financiar os pagamentos dos juros. Este não é o comportamento de uma nação adulta.

Uma coisa pode ser dita com certeza sobre a infância: ela termina. As realidades que nós temos sido persuadidos a ignorar estão se impondo a nós. Confrontado com um gráfico que mostrava nosso débito nacional subindo a uma estonteante altura por volta de 2075, o secretário do tesouro Tim Geithner resmungou que o gráfico poderia muito bem ter incluído projeções para o ano 3000. O presidente da comissão de orçamento da câmara Paul Ryan replicou que não havia condições de levar as coisas adiante, porque “a economia, segundo o CBO [4], entrará em colapso por volta de 2027, neste ritmo”. Isso soou como um adulto repreendendo severamente uma criança com nariz sujo. Nós não sobreviveremos por mais quatro anos de “liderança” de crianças de nariz sujo, adequadas apenas para governar infantilizados.


John Hayward é colunista do Human Events e autor do recentemente publicado Doctor Zero: Year One.
Tradução: Jorge Nobre, estudante de Letras - Tradução Francês da UnB.

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Notas do tradutor

[1] No original a palavra é “bailout” (de bail: fiança, garantia) que, em economia e finanças, significa uma injeção de liquidez dada a uma entidade (empresa ou banco) falida ou próxima da falência, a fim de que possa honrar seus compromissos de curto prazo. Em geral, os bailouts são dados pelos governos ou por consórcios de investidores que, em troca da injeção de fundos, assumem o controle da entidade.
[2] Para maiores informações sobre esse caso ver o seguinte link: http://www.carolinajournal.com/exclusives/display_exclusive.html?id=8762
[3] USDA é a sigla para United States Department of Agriculture, órgão público que cuida da agricultura e tenta garantir uma boa alimentação ao povo americano.
[4] CBO é a sigla para Congressional Budget Office. Trata-se de um órgão do poder legislativo dos Estados Unidos que fornece dados econômicos para o Congresso.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A ignorância de uma feminista


Para alguém que considera que os homens formam, via de regra, uma espécie de máfia obscura – o tal Patriarcado – que envida todo e qualquer esforço para solapar os direitos das mulheres e dominá-las de todas as maneiras possíveis e imagináveis, talvez seja demais pedir que tenha o interesse e a honestidade intelectual de fazer algumas leituras básicas antes de sair por aí falando asneiras. Entretanto, para aqueles que tem um mínimo compromisso com a verdade, isso não deixa de fazer o sangue ferver.

E é exatamente isso o que acontece ao se ler o mais recente panfleto feminista publicado, com toda pompa e circunstância, no portal da Universidade de Brasília. O texto, intitulado “O Dia Internacional das Mulheres e o ‘caso Eloá’”, foi escrito pela professora Lia Zanotta Machado – que recentemente emprestou seu prestígio de pesquisadora (que deve, em grande parte, aos generosos financiamentos da globalista Fundação Ford) para defender a legalização do aborto numa audiência pública no Congresso Federal.

E de que asneiras me refiro? Bom, a professora Lia, na mesma linha de artigo recente da professora Tania Navarro Swain – (in)felizmente, com um pouco mais de sutileza do que esta –, resolveu torcer um pouco nossa realidade e culpar os conservadores pela violência contra a mulher. Em uma passagem realmente inspiradora, escreve a professora (grifos meus):
De 13 a 17 de outubro de 2008, a população brasileira pôde assistir por televisão e rádio, o desenrolar do cárcere privado e da ameaça de morte de um rapaz de 22 anos contra uma menina de 15 anos. Em fevereiro de 2012, assistiu ao recente julgamento que finaliza com a sentença de homicídio doloso e premeditado. O caso Eloá emocionou a opinião pública, dividida entre a crença de um desejado desfecho positivo, tal como anunciado por vários meios de comunicação, e um desfecho trágico. Tratava-se de uma ocorrência que se dava ao vivo e que instava os sujeitos a se posicionarem. Era difícil aplicar o refrão conservador de que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

Em 13 de outubro, Lindemberg invadiu o domicílio da ex-namorada onde ela e colegas realizavam trabalho escolar, com duas armas e um saco de munições. Às 23h30 de sábado, 18 de outubro, Eloá Pimentel, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu e veio a falecer por morte cerebral. No depoimento, Lindemberg admite que levantou a arma quando a ex-namorada teria mentido ao negar que havia beijado outro que não ele. Parecia estar preso a um outro refrão conservador: “se não for minha, não será de ninguém”.
Eu gostaria realmente que a professora Lia Zanotta mostrasse algum nexo causal que indicasse que esses pensamentos fazem parte da mentalidade conservadora, e não da mentalidade brasileira – independente de posicionamento político. Afinal de contas, se assim fosse, não ocorreriam casos como o de Netinho de Paula, cantor e membro do Partido Comunista do Brasil, que agrediu sua mulher. Ora, Netinho é comunista de carteirinha (literalmente), e, portanto, decerto não deveria comungar dos cânones conservadores que a professora Lia tão zelosamente expõe em seu texto. De duas, uma: ou Netinho é um conservador em pele de bolchevique, ou a professora Lia recorreu a uma vergonhosa petição de princípio para provar um ponto de vista sem base.

Uma vez mais, vê-se como a Secretaria de Comunicação da UnB possui um tal alinhamento político que instrumentaliza essencialmente um órgão que, a bem da verdade, deveria dedicar-se à comunicação institucional, não ao jornalismo panfletário. Mas isso já não é nenhuma novidade, certo?